“Pesquisadoras mostram como vão investir o valor da bolsa em projetos e compartilham como o prêmio ajuda a alavancar a carreira científica”

01.12.2017

Ser jovem, mulher e uma cientista bem sucedida é reflexo de um caminho de dedicação e muito estudo. Para as sete ganhadoras do Para Mulheres na Ciência 2017, representa, sobretudo, construir pesquisas que colaboram na promoção da Ciência no Brasil. Cada uma com sua história e diferentes desafios, elas encontraram no programa uma oportunidade de divulgar seus trabalhos e desenvolvê-los em novas perspectivas. Alguns meses após o anúncio da 12ª edição, as sete pesquisadoras vencedoras contam o que mudou de lá para cá e quais as projeções para o futuro.

Diana Sasaki, Fernanda Tonelli, Gabriela Nestal, Jenaina Soares, Marília Nunes, Pâmela Mello-Carpes e Rafaela Ferreira têm em comum a convicção de que podem transformar o mundo por meio da Ciência. A neurocientista Pâmela, por exemplo, acredita que o prêmio é um estimulador para novas conquistas no futuro: “Sou apaixonada pela Ciência e sempre considerei o meu trabalho importante. Eu sempre soube que minhas pesquisas impactavam o desenvolvimento da ciência e, mais ainda, contribuem para o desenvolvimento pessoal e profissional dos alunos em formação que trabalham comigo. O prêmio é importante por isso, para dar visibilidade para um trabalho muitas vezes invisível”, contou.

Prêmio ressalta pesquisas que levam soluções para o mundo

Ao submeter a pesquisa para o edital do prêmio, Gabriela Nestal ainda estava na fase inicial do projeto. Com a bolsa, a cientista conseguirá desenvolver as próximas etapas da pesquisa, com foco em experimentos laboratoriais e comparações de moléculas nas células de câncer de mama resistentes aos tratamentos quimioterápicos. “O próximo passo será investigar, no âmbito celular e molecular, o papel dessas moléculas como fatores de resistência aos tratamentos utilizados contra o câncer de mama”, conta.

Em 2018, Gabriela espera conseguir avaliar os níveis das proteínas não apenas nas células, mas também em amostras de pacientes com a doença. A partir dessas análises, o grupo de pesquisa terá um parâmetro para identificar se os dados obtidos em laboratórios podem ser transferidos para o cenário clínico e gerar novas abordagens de tratamento para o futuro: O prêmio tem potencial para alavancar não somente a minha carreira, como também os nossos estudos científicos, possibilitando um retorno mais rápido para a sociedade”.

Cientistas acreditam que 2018 será um impulsionador para suas pesquisas

A bioquímica Fernanda Tonelli, por sua vez, busca desenvolver tilápias geneticamente modificadas para produzir hormônios humanos. Com o prêmio, ela pretende finalizar a metodologia do estudo e iniciar o aprimoramento para aumentar a escala de produção de proteínas recombinantes com a compra de aquários e tanques. “Num futuro próximo vamos realizar a geração do transgênico-matriz não estéril e verificar sua capacidade de liberar na urina a proteína de interesse”, explica Fernanda. O grupo de pesquisa já está elaborando um pedido de patente para proteção das construções de DNA.

Na busca por encontrar novas moléculas para o tratamento da Doença de Chagas e o vírus da Zika, Rafaela Ferreira acredita que o Planejamento de Fármacos pode representar uma solução, já que não há muitas opções de terapias eficazes. “Para propor novas moléculas, trabalhamos com proteínas alvo que são muito importantes para os patógenos que causam as doenças. Conhecendo a forma dessas proteínas, podemos desenhar substâncias que vão interagir com elas. Nós utilizamos técnicas computacionais para simular como diversas moléculas interagem com a proteína alvo, e então selecionar as que se encaixam melhor”, explica. A farmacêutica espera que no próximo ano o valor do prêmio contribua para adquirir equipamentos e reagentes, muitas vezes importados e de alto custo.

Ainda para 2018, a cientista está confiante que seu grupo de pesquisa, composto por cerca de dez alunos, consiga desenvolver e gerar novas moléculas com potencial de ação contra os patógenos causadores das duas doenças.