Notícia

Vencedora de 2017 conta como a visibilidade do prêmio ajuda a defender os direitos de mães cientistas

28.02.2019

Pâmela Carpes, neurocientista da UniPampa, fala sobre como o programa transformou sua carreira

Depois de vencer o prêmio L’Oréal-UNESCO-ABC Para Mulheres na Ciência, em 2017, o trabalho da neurocientista Pâmela Mello-Carpes conquistou o público dentro e fora do meio acadêmico. Além de ter sido convidada para uma série de eventos e entrevistas, a pesquisadora da Universidade Federal do Pampa (UniPampa) foi uma das selecionadas do programa Science of Learning e teve a oportunidade de passar três meses na UNESCO, em Genebra (Suíça).

Hoje, seu laboratório desenvolve três linhas de pesquisa voltadas para memórias, incluindo aquela que lhe consagrou na categoria Ciências da Vida: a privação de cuidados no início da vida e como os mecanismos neurobiológicos gerados por ela afetam a formação do cérebro. O projeto inclui pesquisadores de outras instituições, alguns de países como Bélgica e Espanha. A cientista também é colaboradora do Escritório Internacional da UNESCO, em que atua para a qualificação da educação no mundo utilizando os conhecimentos da neurociência.

Mãe e cientista: engajamento na defesa dos direitos das mulheres

Mãe, Pâmela também usou a visibilidade para tratar de outro assunto importante: a presença feminina na ciência e, principalmente, a relação da área com a maternidade. “Hoje, viajo a diferentes universidades para falar isso, levando resultados de pesquisas sobre o tema e discutindo com cientistas”, conta. “Embora esta temática muitas vezes encontre resistência, tenho me surpreendido com o apoio recebido nas minhas últimas experiências – em especial de homens jovens cientistas, que reconhecem o problema e se aliam à causa. Precisamos deles também!”.

Para ela, o caminho para que a ciência veja a maternidade com outros olhos ainda é longo. Alguns avanços, no entanto, vêm ocorrendo nos últimos anos, como o direito de licença-maternidade remunerada para bolsistas do laboratório. “É muito pouco ainda, mas estamos lutando para que as agências de fomento a pesquisa reconheçam a necessidade de considerar este fator, especialmente quando falamos sobre avaliação de currículo, que envolve concorrência direta com outros pesquisadores”, acredita.

Algumas ações nacionais vêm contribuindo para uma mudança nesse cenário, caso do Parent In Science, movimento que discute a maternidade e paternidade no meio científico, e da #MaternidadeNoLattes, que encoraja pesquisadoras a incluírem o período de afastamento no currículo da plataforma. Pâmela é ativa nas duas ações. “O impacto que a maternidade causa na carreira científica de mulheres não pode ser negado. Queremos criar estratégias para não penalizar as mães cientistas, pois isso não é justo”, diz. “A sociedade espera que sejamos ótimas em tudo e muitas vezes pensamos que é incompatível ser mãe e cientista, mas não é. Persista e insista nos seus sonhos. E quando alcançá-los, ajude outras mulheres a também conseguirem.”