Notícia

Vacinas para Covid-19: conheça mulheres que lideram pesquisas das imunizações

21.12.2020

Moderna, Novavax e Pfizer/BioNTech contaram com participação decisiva das cientistas Lisa A. Jackson, Katalin Karikó e Nita Patel

 

A rapidez na criação das vacinas contra o coronavírus tem tudo para entrar para a história como o maior avanço da ciência em décadas – mas você sabia que isso só tem sido possível graças à mulheres cientistas? Embora o início do desenvolvimento das vacinas seja marcado por nomes de pesquisadores homens, é a força feminina que vêm liderando os recentes resultados que impressionam o mundo nesse campo científico durante a pandemia da Covid-19. As cientistas Lisa A. Jackson, Katalin Karikó e Nita Patel, por exemplo, são alguns dos nomes responsáveis pelos bons resultados e rapidez nas pesquisas das imunizações oferecidas pela Moderna, Novavax e Pfizer/BioNTech. Abaixo, te contamos qual foi o papel delas nessa história!

 

Vacina Pfizer/BioNTech existe graças aos esforços e estudos da pesquisadora Katalin Karikó

 

 

Foi por causa da persistência de Katalin Karikó que a 1ª vacina contra a Covid-19 aprovada clinicamente começou a ser distribuída em massa no Reino Unido. O imunizante da Pfizer/BioNTech, primeiro de RNA no mundo, só foi possível graças à tecnologia revolucionária que foi protagonizada pela cientista húngara. A ideia da cientista era simples: usar moléculas de RNA mensageiro (“mRNA”) no imunizante para ensinar as células a produzir uma proteína que desencadeia uma resposta do sistema imunológico.

 

No entanto, ao longo de anos, Katalin viu seus pedidos de financiamento para pôr essa ideia em prática serem rejeitados repetidas vezes – o que permitiu tempo para aperfeiçoar o projeto, mesmo passando por um tratamento de câncer. Katalin acabou trabalhando com o pesquisador Drew Weissman e, juntos, eles descobriram uma forma de injetar material de RNA em seres humanos de modo a evitar uma grande reação inflamatória – problema que, até então, impedia o progresso das pesquisas com essa tecnologia. 

 

Vacina Novavax conta com a liderança da cientista Nita Patel em uma equipe totalmente feminina

 

 

 

Junto à vacina da Pfizer/BioNTech, há também a promissora e igualmente revolucionária vacina da Novavax. Uma das equipes responsáveis pelo imunizante – que usa um inovador sistema de células de mariposa para produzir proteínas – é totalmente feminina e liderada pela cientista Nita Patel. Imigrante de Gujarat, na Índia, a pesquisadora vem de origem humilde. Quando tinha 4 anos, sua família caiu na pobreza depois que seu pai quase morreu de tuberculose – nessa época, ela não tinha sapatos e usava a mesma roupa para ir à escola todos os dias. 

 

Durante sua trajetória, apesar de todos os desafios, sua excelência acadêmica a impulsionou para a faculdade com bolsas do governo. Mais tarde, ela conseguiu dois títulos de mestrado, na Índia e nos Estados Unidos, em microbiologia aplicada e biotecnologia. Sua genialidade, por sinal, anda junto a uma memória fotográfica incrível: ao dirigir, Nita precisa ter cuidado para não olhar para os números das placas, ou irá memorizá-los. Agora, desde que a pandemia chegou, ela afirma: “meu dia simplesmente não acaba. E é o mesmo com todos os outros aqui”, disse à revista Science. Ainda assim, Nita projeta serenidade e bom ânimo para o futuro. “Para mim, nada é impossível. Então, tendo essa mentalidade, honestamente, nada me estressa”, finalizou.

 

Vacina da Moderna teve primeira fase de testes liderada pela cientista Lisa A. Jackson

 

 

Outra vacina promissora que tem por trás de seus avanços uma figura feminina é a da Moderna. Sabia que a primeira fase de testes do imunizante foi liderada por Lisa A. Jackson, da Universidade de Washington? A cientista já havia conduzido vários estudos de vacinas, mas a tarefa imposta a ela em março foi diferente de tudo que já tinha experimentado. Ainda assim, mesmo com o tempo reduzido, sua equipe lançou um dos primeiros ensaios clínicos em humanos para uma vacina para bloquear a infecção do vírus que causa Covid-19.

 

Lisa, que se formou em biologia na William & Mary – antes de se formar em medicina na Universidade da Virgínia e ter um mestrado em Saúde Pública na Universidade de Washington – trabalhou como assistente de escritório para Lawrence Wiseman, então chefe do departamento de biologia. Foi lá que a cientista viu seu interesse em investir nas pesquisas crescer ainda mais. Hoje, ela se diz feliz em usar sua experiência e recursos para ajudar o mundo. “Todos querem fazer a sua parte. Nós realmente nos sentimos gratos por fazer parte da equipe e por fornecer nossos esforços e experiência para esse grande objetivo geral”, disse ao site da William & Mary.