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Única menina brasileira classificada para a Olimpíada de Astronomia e Astronáutica, Miriam Harumi se prepara para palestrar na Campus Party

01.02.2018

Aos 17 anos, Miriam Harumi Koga foi a única menina brasileira a ser classificada para a Olimpíada Latino-Americana de Astronomia e Astronáutica (OLAA) em 2017, no Chile. Na competição internacional, a jovem estudante ganhou uma medalha de ouro, que confirmou a sua dedicação nos estudos e o talento para a área de Astronomia. A participação e o destaque na Olimpíada já provoca algumas mudanças na vida da estudante. Em 1º de fevereiro, Miriam participará como palestrante da Campus Party de São Paulo, um dos principais eventos de tecnologia do Brasil, com outros três estudantes que se destacaram na OLAA.

Com o sonho de cursar Engenharia de Materiais em alguma universidade americana, Miriam está participando de, pelo menos, nove processos seletivos e já teve a primeira aprovação na Purdue University, em Indiana. Consciente do seu papel como mulher e futura cientista, a jovem sonha um a equidade de gênero nas carreiras científicas e no aumento de oportunidades para meninas que se identificam com as matérias de Exatas.

Confira a entrevista que fizemos com a Miriam e conheça mais da sua história:

 

O que mudou na sua vida no último ano?

Com a medalha de ouro na Olimpíada de Astronomia e Astronáutica, muitas oportunidades se abriram. Além do convite para a Campus Party, muitos veículos de imprensa me chamaram para contar minha história e compartilhar meu ponto de vista sobre a baixa participação de meninas em competições de exatas, já que fui a única garota representando o Brasil em olimpíadas estudantis de astronomia em 2017. Em outras palavras, a medalha me ajudou a divulgar o problema da baixa participação feminina nesse tipo de competição. Sinto que cumpri o meu papel!

 

Recentemente você foi convidada para palestrar na Campus Party. O que você espera dessa experiência?

Fui convidada a palestrar na Campus Party de São Paulo no dia 1º de fevereiro junto com três colegas que foram à competição comigo para abordar nossas experiências com Astronomia. Será uma honra participar de uma feira de tecnologia no palco. Tenho certeza que a experiência me ajudará a desenvolver a habilidade de falar em público de forma mais didática, madura e segura. Já será uma preparação para o futuro. Espero conhecer pessoas interessadas no assunto da astronomia e entender melhor a dinâmica de um evento desses.

 

Quando e como surgiu o seu interesse por Astronomia?

Aos nove anos, tive a oportunidade de participar da Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA) e testar meus conhecimentos na área de astronomia de forma desafiadora. Aos treze anos ganhei uma medalha de bronze na mesma competição e comecei a frequentar aulas de astronomia voltadas para olimpíadas científicas no meu colégio, em Guarulhos. As aulas ensinavam astronomia de maneira mais aprofundada e confirmaram o quanto aprender sobre a física do universo me deixava deslumbrada. A partir de então passei a estudar astronomia com frequência e sonhar em representar o Brasil em alguma competição internacional sobre o assunto.

 

O que representou para a sua vida pessoal e acadêmica participar (e ganhar) de uma importante competição mundial?

Ir para o Chile para participar da OLAA me trouxe experiências inesquecíveis. Pude conhecer a infraestrutura de ponta do Observatório Paranal, que pertence ao European Southern Observatory (ESO), me emocionar ao ver o céu repleto de estrelas do Deserto do Atacama e conhecer estudantes de outros dez países da América Latina. No que tange às oportunidades acadêmicas, conheci respeitáveis professores e pesquisadores brasileiros na área de astrofísica durante o processo de preparação para a Olimpíada Latino-Americana de Astronomia e Astronáutica e aprendi conteúdos em nível de graduação com eles.

 

Como essa experiência impactou a sua vida?

Hoje eu me sinto mais preparada para começar a graduação em engenharia de materiais, que é o meu desejo. Além disso, acrescentar a medalha de ouro na OLAA em meu currículo tem um peso durante o processo de seleção para ser aprovada em uma universidade dos Estados Unidos. Meu desejo de estudar lá vem do fato de que terei, por exemplo, oportunidades de me envolver com pesquisas desde o primeiro ano da graduação.

 

Você foi a única menina brasileira a ser classificada para participar da Olimpíada Latino-Americana de Astronomia e Astronáutica. Como você vê o incentivo ao estudo em áreas da Ciência para meninas como você?

O incentivo está muito abaixo do que seria adequado. Existe uma participação notavelmente menor de garotas em competições de exatas, comparada a de garotos, e a desigualdade vai se intensificando conforme a idade dos alunos aumenta. Eu vejo que as crianças de gêneros diferentes acabam sendo educadas de formas diferente – e não de um menor interesse por parte das mulheres. Há um estereótipo de que pessoas que lidam com tecnologia geralmente são homens. Direta ou indiretamente, tal situação faz com que muitas garotas não se identifiquem com uma carreira na área de exatas. É fundamental divulgar o sucesso de mais mulheres nas áreas de STEM (Science, Technology, Engineering, and Mathematics) para motivar jovens garotas a trilhar seus sonhos na área de ciências.

 

O que mais te motivou a continuar perseguindo esse sonho?

Sempre senti vontade de me desafiar em competições de exatas. Até o dia em que surgiu o convite da seletiva para as Olimpíadas internacionais de astronomia eu tinha conquistado medalhas em olimpíadas nacionais de várias matérias, mas nunca uma medalha a nível internacional. A vontade de tentar ser selecionada para uma experiência mais difícil foi muito intensa. Desejava também ter a chance de aliar meu interesse em astronomia com a honra de representar o Brasil e conhecer pessoas de outros países.

 

Onde você quer estar daqui a cinco anos?

Daqui a cinco anos me vejo fazendo mestrado em alguma área de ciências. É muito cedo, porém, para responder exatamente em qual matéria estarei me aprofundando e onde estarei estudando. Uma certeza que tenho é que, concomitantemente aos meus estudos, pretendo participar de projetos para aumentar a participação feminina em cursos de exatas.