Notícia

Saiba mais sobre Márcia Barbosa, cientista brasileira eleita membro da Academia Mundial de Ciências

22.01.2020

A pesquisadora, que também  já ganhou o prêmio L’Oréal-Unesco Para Mulheres na Ciência, estuda formas de produzir mais água limpa

Começamos 2020 com uma boa conquista para a Ciência no Brasil: a Academia Mundial de Ciências elegeu 36 novos membros da associação científica. A classe de 2020, que traz a maior proporção de mulheres já eleitas para a Academia em um único ano, contará com três cientistas brasileiras. Entre elas, Márcia Barbosa, diretora da Academia Brasileira de Ciências e professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. A pesquisadora, que já foi vencedora do prêmio L’Oréal – Unesco – ABC Para Mulheres na Ciência e  hoje é membro do Júri do programa, estuda as anomalias da água para tentar produzi-la de maneira mais limpa e espera desenvolver ainda mais o projeto com a ajuda da Academia. 

 

Como bolsista da Academia Mundial de Ciências, pesquisadora espera mostrar de maneira objetiva como resolver o problema da água 

Utilizando as anomalias da água, a professora busca achar maneiras eficazes de produção de água limpa. Por ser um material que se comporta de maneira pouco usual, Márcia explica como funciona a base da pesquisa: “Uma propriedade estranha da água é que ela flui muito facilmente em buracos bem pequenos. Por isso, eu e meu grupo de pesquisa usamos esta propriedade para simular computacionalmente filtros com nano buracos para separar água de sal e produzir mais água limpa”.

Para a professora, o ingresso na Academia Mundial de Ciências é a oportunidade perfeita de mostrar para as pessoas através do seu projeto que a produção de água limpa é um tema importante não somente em física, mas para a humanidade. “Espero poder trazer temas de relevância e mostrar a importância de se fazer divulgação científica em um mundo que nega a Ciência através da Academia, que tem o dever de comprovar para o público que a Ciência é confiável”, explica. 

 

Para a professora, lista da Academia Mundial de Ciências pode influenciar as jovens cientistas

Como mulher e pesquisadora, Márcia sabe que o cenário científico brasileiro ainda precisa melhorar. “O Brasil tem um percentual de mulheres fazendo ciência mais elevado do que a maioria dos países. Mas, infelizmente, este percentual só atinge mulheres na base. Ainda temos números ruins de mulheres cientistas no poder”.

No entanto, a professora acredita que a grande proporção de mulheres eleitas pela Academia Mundial de Ciências pode ser um estímulo para as jovens e as futuras cientistas. “Quanto maior a visibilidade que dermos às mulheres, mais as jovens cientistas vão se sentir estimuladas a continuar na batalha e, consequentemente, mais meninas irão compreender que ciência é um substantivo feminino”. Além disso, a pesquisadora destaca a importância de poder fazer parte dessa história. “Foi uma grande emoção ser indicada para a Academia. Sempre é importante termos mais mulheres nestes locais de influência científica e sinto uma imensa responsabilidade em tentar ampliar a diversidade neste espaço”, finaliza.