Notícia

Saiba mais sobre Julia Jaccoud, que encontrou na internet uma forma de democratizar o acesso à Matemática

13.11.2019

Por meio de debates, professora mostra a Matemática de maneira divertida e descontraída

 

Julia Jaccoud sempre teve o sonho de mostrar a Matemática de forma mais interessante e dar um novo olhar para a área. Foi assim que surgiu o seu canal no Youtube, A Matemaníaca, que ajuda alunos a aprender a matéria de forma divertida e descontraída. Os vídeos do canal são divididos por áreas, como Álgebra, Geometria e Enem, e dão dicas sobre como se organizar e otimizar o tempo. 

 

Além disso, a professora compartilha sua rotina nas redes sociais e cria muitos debates. O objetivo é proporcionar mais questionamentos e menos aulas expositivas, mostrando que a Matemática vai além da aplicabilidade. “Ter um canal na internet me proporciona um alcance muito maior. Consigo levar a Matemática para lugares onde ela talvez não fosse colocada de forma rápida e prática”, conta. 

 

O que surgiu como hobby se tornou atualmente a profissão de Julia, que como qualquer outra, tem vantagens e desafios. “A vantagem das aulas presenciais é a troca afetiva. Mas o espaço físico é limitado a uma turma física, em um lugar específico, com idade semelhante. É importante dar oportunidades para as pessoas, sem restringir idade, e proporcionar sempre uma experiência positiva.”

 

Os vídeos são feitos para desconstruir estereótipos e atingir todos os públicos

 

Atualmente, Julia conta com uma equipe de quatro pessoas para a produção dos vídeos. A própria professora cria o roteiro das gravações, que são coordenadas por uma diretora. Depois, o material passa por um editor e por uma designer e, por fim, uma agência faz a parte de relacionamento com o público. “Sempre brinco que preciso fazer um roteiro que os alunos entendam, mas que minha mãe também se divirta com ele”, explica.

 

Julia conta que a própria equipe se envolve e aprende com o conteúdo, o que gera um impacto positivo. Apesar dos vários estereótipos que ainda precisam ser desconstruídos, a professora acredita que sua presença já está quebrando alguns tabus, como pensar a Matemática somente como números. Além disso, os vídeos ajudam a questionar o papel social da área e a refletir sobre novas questões.

 

“Não é sobre a chegada, mas sobre a trajetória”, defende a matemaníaca sobre a presença de mulheres nas Exatas

 

Julia acredita que a participação das mulheres nas ciências está aumentando, mas que ainda é uma mudança muito recente. A professora defende um ambiente equitativo, onde não seja um impedimento ser mulher dentro das Exatas. “Como não é um espaço convidativo, têm meninas que nem sabem que ‘podem’ investir nesse caminho”, relata. Quando se tratam de cargos mais altos, a presença feminina é ainda menor.

 

Outro problema apontado por ela é a ideia de que, se a mulher faz Matemática como licenciatura, ela está cuidando da educação, ou seja, está no lugar certo. Isso demonstra um ambiente ainda machista e hostil. Julia aponta que a criação de coletivos e eventos nas universidades têm ajudado a debater a questão e a gerar mudanças efetivas.

 

“Não é sobre a chegada, mas sobre a trajetória. É importante pensar que estamos gerando espaço para ter outro olhar em cima dessas questões. Não é pensar só no ingresso, mas na permanência”, defende.

 

“Fiquem atentas aos sinais e invistam no que faz seus olhos brilharem”, aconselha

 

Acreditar em si mesma. Para Julia, esse é o segredo. A professora aconselha meninas que querem seguir carreira na área a superar o medo e a acreditar que elas podem estar em qualquer lugar. Mudar de carreira é algo comum, mas é importante avaliar se isso aconteceu por vontade própria ou por uma cobrança externa social. “Fiquem atentas aos sinais e invistam no que faz seus olhos brilharem. Isso é válido para todas as áreas da vida”, aconselha.