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Saiba mais sobre Anna Luisa Beserra, primeira brasileira a ser premiada pela ONU por criar filtro de água que utiliza apenas luz solar

29.11.2019

O Aqualuz fornece água potável para famílias do semiárido e funciona por desinfecção solar

 

Foi por meio do desenvolvimento de um filtro de água que utiliza apenas a luz solar, o Aqualuz, que a baiana Anna Luisa Beserra, de 22 anos, se tornou a primeira brasileira a ganhar o prêmio Jovens Campeões da Terra, da Organização das Nações Unidas (ONU) Meio Ambiente. Atualmente presente nos estados da Bahia, Alagoas, Pernambuco, Ceará e Rio Grande do Norte, o projeto ajuda 270 pessoas por meio de projetos em parceria com empresas que têm programas de responsabilidade social para o semiárido. A meta é atingir 900 mil pessoas nos próximos cinco anos.

“Desde a inscrição na premiação, nunca pensei que tinha chance de ganhar. O prêmio só veio após muito trabalho e esforço, durante mais de seis anos desenvolvendo a tecnologia. Receber o prêmio Jovens Campeões da Terra é a melhor credibilidade que poderíamos receber. Agora, os clientes não têm mais dúvidas sobre o potencial do produto e o quão impactante ele pode ser na vida das pessoas”, relata Anna Luisa.

O Aqualuz utiliza a luz solar, abundantemente presente na região do semiárido, para matar os micro-organismo da água coletada e armazenada em cisternas. Assim, a água é purificada sem o uso de substâncias nocivas. O sistema está sendo implantado em casas de famílias de baixa renda, que recebem um treinamento sobre o uso do equipamento. Periodicamente, a equipe volta ao local para monitorar e coletar dados de impacto social e de saúde, educação e economia. “Acreditamos que democratizar a água é promover o acesso à água potável ao maior número possível de pessoas possível. O projeto tem impacto econômico e social pois oferece melhor qualidade de vida para essas pessoas”, conta.

Aqualuz levou seis anos para ser desenvolvido e já ganhou diversos prêmios por ajudar famílias da região do semiárido

O interesse de Anna Luisa pela Ciência começou aos 15 anos de idade, durante o Ensino Médio. Na época, a pesquisadora se inscreveu no Prêmio Jovens Cientistas e, apesar de não ter ganhado, continuou com as pesquisas e o trabalho de campo. Aos 17 anos, Anna criou uma startup com o objetivo de desenvolver tecnologias hídricas que mudam vidas, a Safe Drinking Water For All (SDW). No último período da faculdade de biotecnologia, sua equipe participou do programa Academic Work Capital (AWC), do Instituto TIM, que rendeu uma aceleração na startup e ajudou a configurar o atual modelo de negócios da empresa. Durante esse período, foi implantado o piloto do projeto e a equipe ganhou o segundo lugar do Hack Brasil.

Sem o AWC do Instituto TIM, seria impossível evoluir tanto em tão pouco tempo. O programa abriu portas incríveis e os resultados de hoje são todos frutos do treinamento que recebemos. O apoio financeiro foi fundamental para a construção da versão atual do Aqualuz e para implantarmos os testes obrigatórios que comprovam a qualidade da água filtrada”, lembra Anna.

O processo de desenvolvimento do Aqualuz demorou seis anos. Isso porque, a princípio, a equipe não conhecia a região do semiárido e nem o público-alvo. Após a implantação do projeto, Anna conta que houve uma grande redução no consumo de água contaminada pelas famílias contempladas. “As crianças dessas famílias ficavam doentes e não iam pra escola, causando baixa no rendimento escolar. Mas isso diminuiu bastante com o Aqualuz”, comemora.

Expansão para África e desenvolvimento de versão ampliada do Aqualuz estão entre os planos de Anna Luisa

Anna espera, futuramente, conseguir uma campanha de financiamento coletivo para expandir o Aqualuz para a África. Outra meta é desenvolver um dessalinizador, além de outro filtro mais potente para resolver outros problemas relacionados à água contaminada. A nova versão do Aqualuz também já está em andamento. No próximo modelo, será possível encaixar diversos equipamentos juntos na cisterna para filtrar até 100 litros de água por ciclo. O objetivo é enquadrar o trabalho ao objetivo de desenvolvimento sustentável número seis da ONU, que corresponde à área de acesso à água potável e saneamento. 

“A missão da startup que fundei aos 17 anos é desenvolver tecnologias hídricas que mudam vidas. O Aqualuz é a primeira delas, mas vamos desenvolver muitas outras tecnologias para resolver diferentes problemas de acesso à água e saneamento no mundo inteiro”, conta.

“Acreditem na mudança que vocês podem promover”, Anna aconselha jovens pesquisadoras

Ana Luisa conta que, no início, sentia dificuldade de aceitação no meio científico. Por ser mulher, ela percebia que sempre havia dúvidas e questionamentos sobre a eficiência de seu projeto. Além disso, a maioria dos participantes de eventos de empreendedorismo são homens, sejam fundadores de startups ou jurados de premiações. Outra dificuldade é a idade, já que a jovem tem apenas 22 anos. Ela conta que já participou de competições em que teve sua idade foi contestada, o que gerou preconceito quanto à credibilidade do projeto.

Mas, apesar de todas as dificuldades, Ana acredita que o empreendedorismo social e ambiental podem oferecer uma oportunidade de contemplar um futuro com menos desigualdades sociais e maior consciência ambiental. “O que digo para as jovens mulheres é que precisamos nos unir para garantir o futuro do planeta. O momento é agora. Acreditem na mudança que vocês podem promover”, finaliza.

créditos da foto: ONU Meio Ambiente