Notícia

Projeto Meninas na Física e na Engenharia incentiva jovens estudantes a seguir carreira nas ciências

16.12.2019

Desenvolvido pela Universidade Estadual da Paraíba, iniciativa desenvolve oficinas e conta histórias de mulheres cientistas para alunas de escolas da região

 

Estimular meninas a seguir carreiras científicas. Esse é o objetivo do projeto Meninas na Física e na Engenharia, desenvolvido pela Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), na cidade de Araruna. Apesar de ser uma ideia antiga, a professora e coordenadora do projeto Alessandra Gomes Brandão conta que a proposta só foi possível graças a um edital do CNPq de 2018, que visava atrair projetos para incentivar mulheres na ciência. Atualmente, a iniciativa já atende cerca de 500 meninas de cinco escolas da região dentro da universidade, número que triplica quando as atividades são realizadas em cada escola. Para a professora, um dos motivos do afastamento entre sociedade e ciência é a distorção na imagem do trabalho científico, visão que o projeto busca desconstruir ao passar uma nova noção de ciências para as estudantes.

“Nosso primeiro objetivo é ajudar a manter a curiosidade científica dessas jovens, pois sabemos que, em certa medida, o próprio ensino de ciências, quando não é bem trabalhado, ajuda a desmotivar. Depois disso, queremos mostrar que a ciência precisa de homens e mulheres, pois ela é uma construção social, histórica e, por isso mesmo, deve receber contribuição de todas as pessoas que se interessarem por ela. E, especificamente, nós mulheres temos muito a contribuir com nossas peculiaridades tão ricas”, defende Alessandra.

 

Projeto conta história de mulheres cientistas, desenvolve oficinas de astronomia e realiza experimentos em laboratórios

O projeto funciona por meio de conversas descontraídas e debates sobre histórias de mulheres cientistas, sempre com a presença de uma pesquisadora que também conta sua própria trajetória. As alunas são então incentivadas a perguntar e interagir o que, segundo Alessandra, ajuda a mudar a relação das estudantes com a ciência. Esses estudos sobre cientistas irão virar uma peça teatral que será apresentada em março do próximo ano. Além dos debates, há também oficinas de astronomia onde as meninas podem aprender mais sobre o céu noturno e a ciência ali presente, além das reuniões nos laboratórios para realizar experimentos.

As escolas participantes englobam três municípios do entorno do campus onde mulheres lecionam a disciplina de Física. “Essas professoras possivelmente passaram dificuldades no enfrentamento dos seus cursos, então seria um ponto positivo lutarmos juntas pelo empoderamento de outras meninas”, conta Alessandra. Quando as atividades são abertas, outras escolas também são convidadas. A professora conta que, atualmente, o projeto recebe muitos e-mails de outras escolas da região solicitando participação.

 

Para Alessandra, apesar das desigualdades em carreiras científicas, participação feminina têm alcançado grandes conquistas na área

Alessandra acredita que o incentivo a jovens meninas nas ciências é uma forma de enfrentar a desigualdade que a sociedade impôs ao longo dos anos. Essa mudança precisa começar tanto em casa, educando meninos e meninas de modo igual, quanto na escola e nas brincadeiras. Por esse motivo, a professora aponta que, quanto mais cedo as meninas se inserem no universo científico, maiores são as chances de fazer uma escolha profissional nessa direção. 

“A história da ciência tem reparado o apagamento que a cultura machista nos impôs, resgatando belos exemplos de contribuição feminina na ciência. Ao conhecer essas histórias, assistimos um desabrochar dessas meninas, pois elas sabem que poderão atuar onde quiser, inclusive na ciência”, defende.

Já na academia, Alessandra acredita que a presença feminina é forte e apresenta bons resultados, mas que ainda existem problemas como assédio, dificuldades em exercer a maternidade e em ocupar cargos de chefia. Durante a gravidez, por exemplo, ela conta há uma queda no rendimento das mulheres, o que gera humilhação, rebaixamento em programas de pós-graduação e dificuldades em adquirir novos financiamentos, fazendo com que tenham que optar entre carreira e maternidade.

Ainda assim, a professora conta que os diversos fóruns que discutem a questão e o empoderamento de mulheres para enfrentar esses desafios têm conseguido diversas conquistas nessa direção. Por isso ela incentiva que meninas não desistam dos seus sonhos. “Mantenham o interesse, busquem uma rede de apoio entre mulheres, pois juntas somos mais fortes, e mantenham o foco, pois a carreira  vale muito a pena, uma vez que se contribui para conhecer melhor o mundo em que vivemos”, aconselha.