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Primeira mulher a conquistar o Prêmio Nobel, Marie Curie ganhará filme sobre sua trajetória no próximo ano

11.12.2019

 

Além de descobrir o polônio e o rádio, Marie foi a primeira mulher a lecionar na Sorbonne e a ganhar duas vezes o Prêmio Nobel

 

Consagrada como “mãe da Física Moderna” por seus estudos pioneiros na área de radiação, a cientista Marie Curie vai ganhar um filme sobre sua trajetória. Com direção de Marjane Satrapi, o longa metragem Radioactive é inspirado no livro Radioactive: Marie & Pierre Curie: A Tale of Love and Fallout, de Lauren Rednis, e conta a história da primeira mulher a vencer um Prêmio Nobel, interpretada por Rosamund Pike. O filme estreou no Festival de Toronto desse ano e deve ser lançado em 2020 no Brasil.

 

Física e química polonesa, Marie Curie começou a estudar radiação emitida por sinais de urânio em 1886 ao lado de seu marido, Pierre Curie, o que a levou a importantes descobertas na área. Foi assim que ela descobriu o polônio e o rádio e cunhou os termos radioativo e radioatividade, tão usados atualmente. Essas descobertas renderam à cientista o Nobel de Química, em 1903, e o de Física, em 1911. Além disso, Marie também foi a primeira mulher a ocupar uma cadeira de professora na Universidade Sorbonne e a ocupar esse cargo na França.

 

Estudos sobre radioatividade levaram à descoberta do polônio, elemento 900 vezes mais radioativo, e renderam Prêmio Nobel a Marie Curie

 

Filha de um professor de Física e Matemática e de uma pianista, Marie Curie nasceu em Varsóvia, na Polônia, no ano de 1867. Na época, a cidade era parte da Rússia czarista. Como sua família estava ligada a movimentos que buscavam a independência polonesa, seu pai foi demitido, o que gerou grandes dificuldades financeiras. Com a morte de uma das irmãs, aos sete anos de idade, e da mãe, quando tinha dez anos, Marie entrou em depressão, o que se agravou ainda mais quando ela foi rejeitada por todas as instituições universitárias da cidade por ser mulher.

 

Marie fez então um acordo com sua irmã Bronislawa. Para ajudar a irmã a se formar em medicina, a jovem cientista foi trabalhar aos 17 anos como governanta na casa de uma família. Em troca, Bronislawa a ajudaria a estudar dois anos depois. Mas foi somente em 1891 que Marie finalmente conseguiu ir para Paris cursar Física, Química e Matemática na Sorbonne. Apesar das dificuldades para estudar, a jovem se graduou em 1894 e foi classificada em primeiro lugar para o mestrado em Física e em segundo lugar para o de Matemática.

 

Em 1895, quando se preparava para cursar o doutorado, Marie conheceu Pierre Curie, que era instrutor da Escola de Física e Química Industrial da Cidade de Paris, e eles logo se casaram. O casal começou então a trabalhar em um porão cedido pela Sorbonne, onde iniciaram as investigações sobre radioatividade, recém-descoberta por Henri Becquerel, em 1896. Juntos, eles verificaram que certos minerais de urânio tinham elementos desconhecidos que eram mais radioativos que o próprio urano. Fervendo o minério em grandes recipientes sobre um fogão de ferro fundido, conseguiram isolar um elemento 300 vezes mais ativo que o urânio, batizado por Marie como Polônio. No mesmo ano, em 1898, o casal continuou a purificação até descobrir o rádio, elemento 900 vezes mais radioativo e extraído do resto do material do polônio.

 

Essas descobertas renderam dois Prêmios Nobel a Marie Curie, que distribuiu o dinheiro que ganhou entre pessoas com dificuldades financeiras, especialmente estudantes. Mas, no mesmo ano em que foi premiada, a cientista não foi eleita por dois votos para a Academia Francesa de Ciências por ser mulher. Ainda assim, ela continuou os estudos e desenvolveu aplicações médicas para suas descobertas.

 

Marie morreu em 1934, aos 66 anos de idade, vítima de leucemia, consequência da extrema exposição à radioatividade. Seu livro Radioactivité, publicado após sua morte, foi considerado um marco na área, mas, devido ao alto teor de radioatividade, a versão original só pode ser manipulada com roupas protetoras especiais.

 

Marie Curie ajudou a tratar soldados feridos durante a guerra e contribuiu no tratamento do câncer

 

Marie Curie foi uma das mulheres que mudou o rumo do estudo sobre radioatividade, mas sua relevância no mundo científico vai além das descobertas. Em um período de predominância masculina nas ciências, Marie mostrou o valor intelectual e a contribuição que as mulheres podem ter no ramo intelectual e nas aplicações práticas. Para tratar soldados feridos durante a Primeira Guerra, a cientista conseguiu instalar 200 estações de tratamento radiológico nas zonas de combate da França e Bélgica, atendendo mais de um milhão de pessoas.

 

Além disso, as descobertas de Marie foram muito importantes no tratamento do câncer. Ela recolhia o gás que o rádio emanava e o enviava para diversos hospitais para tratar tumores por meio da irradiação. Atualmente, vários hospitais e centros levam seu nome, como o Instituto Curie e o Pavilhão Curie, do Instituto de rádio de Paris, onde funciona o Museu Curie. Em 1944, foi descoberto um novo elemento químico que foi batizado como Cúrio (Cm), de número atômico 96, em homenagem ao casal Marie e Pierre Curie.

 

O trailer do filme pode ser visto em: https://www.youtube.com/watch?v=W1KcE48gIng