Notícia

Pesquisadoras da USP criam projeto de podcasts para empoderar cientistas mulheres

11.08.2020

Chamado de ‘Virgínias da Ciência’, iniciativa das docentes da faculdade de medicina busca impulsionar a igualdade de gênero e protagonismo feminino na ciência

 

Criar um lugar seguro onde mulheres cientistas possam reforçar o protagonismo feminino na ciência e compartilhar seus achados científicos com todos: esse é o grande objetivo do “Virgínias da Ciência”! Já conhece a novidade? O projeto de podcasts lançado no mês de julho para aproximar ciência e sociedade é idealizado por 4 professoras da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP – e uma delas é nada menos do que Alline Campos, uma de nossas vencedoras do prêmio Para Mulheres na Ciência em 2015!

 

“Nossa grande meta é que a sociedade conheça como o trabalho destas cientistas é realizado, e como a ciência é modificadora. Para além da carreira científica, queremos mostrar que a ciência é feita por cidadãs, mães, filhas, irmãs.. por mulheres extraordinariamente comuns e brilhantes! Mulheres que ocupam posições de poder e de protagonismo, que são o exemplo de que as cientistas mais jovens e meninas devem sustentar seus sonhos e objetivos para seguir a carreira científica”, conta Alline. Gostou da ideia? Saiba mais sobre a iniciativa na matéria abaixo!

 

Como surgiu o projeto de podcasts ‘Virgínias da Ciência’? 

 

Os rostos por trás do “Virgínias da Ciência” são os de Rita Tostes, Vânia Bonato, Alline Campos e Katiuchia Sales. Além de serem todas docentes de medicina, elas contam que sempre tiveram algo mais em comum: o desejo de contribuir para a valorização e o protagonismo feminino (no meio acadêmico, especialmente!) sempre esteve dentro de cada uma delas. “Como atuamos na mesma unidade, nos encontrávamos em comissões, disciplinas, na hora do almoço ou cafés da tarde. Nestes encontros, nossas conversas sempre terminavam com o planejamento sobre fazer um projeto em que o tema fosse igualdade de gênero”, lembra Alline.

 

Assim, depois de muitos encontros, eventos sobre mulheres na ciência e bastante reflexão, uma conversa durante um café fez surgir um grupo inicial de WhatsApp – em pouco tempo, elas se tornaram as Virgínias da Ciência. A partir dali, decidiram colocar as ideias em prática por meio de um canal de podcasts, contando sempre com o trabalho em equipe e a ajuda de pessoas próximas. “A edição e masterização são feitas (voluntariamente) pelo Virgínio, esposo da Profa. Katiuchia. Ainda temos a ajuda de quatro mulheres brilhantes no Instagram e no nosso site”, conta Alline.

 

Mas afinal de contas, o que é ser uma Virgínia da Ciência?

 

 

É bem provável que você esteja se perguntando por que “Virgínias”, certo? Segundo Alline, este nome surgiu pela identificação do grupo com Virginia Woolf, escritora britânica que falava abertamente sobre a necessidade de oferecer às mulheres a liberdade de pensamento que os homens sempre tiveram. “Sua obra é magnífica em todo seu conteúdo, mas nosso projeto tem em seu coração o ensaio ‘Um teto todo seu’. Nele, Virginia falava abertamente sobre o apartheid de gênero, sobre como era injusto que o homens tivessem a liberdade de viver e escolher, enquanto as mulheres estavam fadadas a observá-los em silêncio”, explica.

 

Assim, segundo Alline, a escritora é a inspiração do projeto para criar um lugar de liberdade e sororidade voltado para as mulheres cientistas. “Sabemos que ao abrir este espaço de fala para essas mulheres fantásticas, que são a base e a força da ciência brasileira, divulgamos conhecimento e mostramos que o dinheiro público investido nas universidades públicas e na ciência estão em excelentes mãos. Ao mesmo tempo, escutamos as trajetórias (muitas vezes difíceis) de nossas entrevistadas e, a partir daí, geramos um mecanismo de difusão e conscientização sobre a importância da igualdade de gênero e o empoderamento de outras mulheres”, reforça.

 

Como acompanhar e participar dos podcasts do projeto Virgínias da Ciência?

 

 

Durante o mês de agosto, o assunto em destaque tem sido a pandemia do coronavírus, por isso, as convidadas dos próximos 5 programas da série COVID-19 são mulheres que voltaram suas pesquisas e se reinventaram para ajudar a população. No entanto, se você tem interesse em participar dos podcasts do projeto, aproveite: “iremos entrevistar pesquisadoras em diferentes regiões do Brasil! Queremos fazer programas que estejam voltados para área de exatas, humanas, artes, cultura… Isto é muito importante para possamos nos aproximar mais da sociedade e mostrar a diversidade de pesquisa que é feita dentro das instituições”, conta a pesquisadora.

 

Para participar, o caminho indicado por Alinne é deixar sua sugestão no site do projeto ou no Instagram (@_virginias_). “Nós adoramos receber as mensagens e sempre respondemos! Já recebemos várias sugestões de nomes de mulheres incríveis e vamos conversar com todas”, conta. Agora, caso você ainda esteja na dúvida se deve acompanhar ou participar do projeto, Alline deixa uma dica: “Sempre terminamos nossos programas com uma frase da Virgínia Woolf: ‘não há portões, fechaduras ou cadeados que possam ser colocados em minha liberdade de pensamento’. Se essa frase mexe com algo dentro de você, seja bem-vindx. Você é umx Virginix da Ciência!”, finaliza.