Notícia

Nobel de Química 2020 premia dupla laureada pelo Para Mulheres na Ciência Internacional

07.10.2020

Emmanuelle Charpentier e a Professora Jennifer A. Doudna foram reconhecidas nas duas premiações pelo desenvolvimento de método de edição do genoma

 

Pela primeira vez na história, duas mulheres cientistas ganharam, juntas, o Prêmio Nobel de Química: a francesa Emmanuelle Charpentier e a americana Jennifer A. Doudna – ambas Laureadas do Prêmio Para Mulheres na Ciência Internacional em 2016 -, receberam o reconhecimento pelo desenvolvimento de um método revolucionário de edição do genoma. Chamado de “Crispr/Cas9” ou “tesoura molecular”, ele é capaz de modificar genes humanos, e foi reconhecido também pelo prêmio da L’Oréal-UNESCO há 4 anos.

 

“A Fondation L’Oréal dá as boas-vindas a esta decisão histórica e apresenta seus mais calorosos parabéns às Professoras Emmanuelle Charpentier e Jennifer A. Doudna. Hoje, enfrentamos crises de saúde, sociais e econômicas sem precedentes: mais do que nunca, o mundo precisa da ciência, e a ciência precisa das mulheres”, disse Alexandra Palt, Vice-Presidente Executiva da Fondation L’Oréal.

 

O que é o método ‘Crispr/Cas9’ desenvolvido pelas ganhadoras do Nobel de Química 2020?

 

A pesquisa da dupla de cientistas premiada com o Nobel da Química neste ano é inovadora: com o método de edição do genoma “Crispr/Cas9”, descoberto por Emanuelle e Jennifer, foi possível dar à ciência a chance de mudar parte do código genético de uma célula – como se, para isso, fosse usado uma tesoura, por isso o nome “tesoura molecular”. 

 

Ao “cortar” uma parte específica do DNA de células e de animais em laboratório, por exemplo, é possível fazer com que a célula produza ou não determinadas proteínas, e, assim, compreender como os genes interagem e funcionam. Esse experimento já está contribuindo para encontrar novas terapias contra o câncer, e pode vir a oferecer respostas para a cura de doenças hereditárias.

 

Inspirar meninas e mulheres na ciência é um dos desejos de Emmanuelle após ganhar o prêmio Nobel

 

 

Logo após a premiação, Emmanuelle Charpentier (à direita da imagem) declarou que espera inspirar jovens cientistas a acreditarem que lugar de mulher também é na ciência. Eu gostaria de passar uma mensagem positiva a meninas que gostariam de seguir o caminho da ciência. Acho que nós mostramos a elas que uma mulher pode ter impacto na ciência que elas estão fazendo. Espero que Jennifer Doudna e eu possamos passar uma mensagem forte às meninas”, disse à imprensa. 

 

A última vez que um Prêmio Nobel foi concedido a pesquisadoras foi em 1911, quando Marie Curie recebeu seu Prêmio Nobel de Química. Em todo o mundo, as mulheres representam apenas 29% dos cientistas – e isso tem um impacto real e direto na qualidade da pesquisa. Desde a criação do Prêmio Nobel em 1901, um total de 621 cientistas foram premiados por seus trabalhos em Física, Química ou Medicina, incluindo apenas 22 mulheres.

 

5 laureadas pelo Prêmio Para Mulheres na Ciência Internacional já ganharam o Prêmio Nobel

 

Ainda assim, vale destacar que o Prêmio Nobel concedido hoje à Emmanuelle Charpentier e Jennifer A. Doudna, eleva para cinco o número de laureadas do Programa Para Mulheres na Ciência Internacional que receberam esta distinção, após Christiane Nüsslein-Volhard (Prêmio Nobel de Medicina em 1995), Ada Yonath (Prêmio Nobel de Química em 2009), Elizabeth H. Blackburn (Prêmio Nobel de Medicina em 2009).

 

Todas elas participaram do Prêmio L’Oréal-UNESCO internacional que reconhece, anualmente, 5 cientistas, sendo uma de cada região do mundo (África e países Árabes, Ásia-Pacífico, Europa, América Latina e América do Norte). O intuito é contribuir para promover avanços da presença feminina na área da Ciência, onde as mulheres ainda são sub-representadas. Para isso, todas recebem uma bolsa-auxílio de 100 mil dólares usada para investirem em suas pesquisas.