Notícia

Mudanças climáticas: conheça as cientistas que estão contribuindo para salvar o planeta

27.04.2020

Veja mais sobre os trabalhos das pesquisadoras Naomi Kumi, Ossénatou Mamadou, Lala Kounta, Hilde Fålun Strøm e Sunniva Sorby 

 

Sabia que o combate às mudanças climáticas e a luta pela preservação da humanidade contam com a ajuda de mulheres pra lá de inspiradoras? Em diferentes regiões do globo, e dentro das suas áreas de atuação, 5 cientistas estão mostrando a importância de tratar o assunto de forma multidisciplinar e, principalmente, de incorporar a perspectiva feminina ao tema. Quer saber como? Continue lendo a matéria e conheça as histórias de Naomi Kumi, Ossénatou Mamadou, Lala Kounta, Hilde Fålun Strøm e Sunniva Sorby!

 

Hilde Fålun Strøm e Sunniva Sorby: pesquisadoras que se mudaram para o Ártico para observar o impacto das mudanças climáticas nas regiões polares

 

Bem distantes da civilização, Hilde Fålun Strøm e Sunniva Sorby são duas cientistas que decidiram apoiar a pesquisa climática se mudando para o Ártico por nove meses. Em agosto, as duas pesquisadoras passaram a morar em uma pequena cabana de caça no alto do arquipélago de Esvalbarda, um território ártico norueguês. A casa, apelidada de Bamsebu, é o único abrigo visto por 140 quilômetros na região. Para se ter uma ideia, ursos polares rondam a área, e não é incomum que o frio do inverno atinja cerca de -30° Celsius. 

 

As duas mulheres, que se chamam de “equipe Bamsebu”, já tinham experiência em terrenos congelados. Sorby, que trabalhou mais de duas décadas como historiadora e guia na Antártica, esquiava a calota de gelo da Groenlândia e atravessava a Antártida até o Polo Sul. Já Fålun Strøm, passou mais de um ano em cabanas de caçadores no Ártico.

 

Agora, juntas em Esvalbarda, elas têm o papel de coletar dados e observar como as mudanças climáticas estão afetando as regiões polares. Suas observações sobre a vida selvagem e o meio ambiente vão poder ajudar outros cientistas a entenderem como o aquecimento rápido está mudando os ecossistemas do Ártico.

 

Naomi Kumi: meteorologista que investiga o impacto das mudanças climáticas na África

 

Longe do Ártico, uma das mulheres que tem feito a diferença nos estudos sobre o clima é a meteorologista e cientista climática Naomi Kumi, chefe da Unidade Climatológica da Agência Meteorológica de Gana – agência na qual trabalha há 10 anos. Ela é PhD em Mudança Climática e Uso de Terra Adaptado, e sua função atual é gerar previsões sazonais para Gana, avaliando modelos climáticos e o impacto do clima na África Central. Recentemente, Kumi recebeu uma bolsa auxílio da AIMS Women in Climate Change Science para investigar as consequências das mudanças de clima na produção de algumas culturas selecionadas no país. 

 

Ossénatou Mamadou: física que avalia as interações superfície-atmosfera na África Central

 

Além de Naomi, a Doutora Ossénatou Mamadou tem feito um trabalho importante nas pesquisas sobre o clima do planeta. Professora e pesquisadora do Instituto de Matemática e Ciências Físicas, ela é uma micrometeorologista com formação em Física e pós-doutorado na Universidade de Liege, onde investigou o balanço de carbono de uma pastagem intensivamente gerenciada. Sua pesquisa atual, se concentra na avaliação das interações superfície-atmosfera na África Ocidental. Mamadou pretende identificar ciclos e periodicidades nas trocas de ecossistemas de superfície, a fim de entender como as mudanças no uso e cobertura da terra podem afetá-los nas mudanças climáticas. 

 

Lala Kounta: oceanógrafa física que explora o papel da corrente oceânica na modulação climática 

 

Também formada em Física, Lala Kounta é oceanógrafa física e pesquisadora de pós-doutorado no Laboratório de Física Atmosférica e Oceânica de Simeon Fongang em Dakar, capital do Senegal. Além de mestre em Física, ela possui mestrado em Ciências da Engenharia, com especialidade em Meteorologia, Oceanografia e Gestão de Terrenos Áridos. Na prática, Kounta usa sua formação para pesquisar o funcionamento dinâmico do sistema de ressurgência da África Ocidental, com foco na circulação no Atlântico Norte tropical oriental da África Ocidental.

 

Recentemente, a cientista se propôs a explorar o papel da corrente oceânica na modulação climática regional/local, particularmente o papel da Corrente Fronteira da África Ocidental (WABC), como determinante das condições atmosféricas e oceânicas do Senegal em dias quentes – o que apresenta significantes riscos à saúde pública e aos ecossistemas marinhos. Sua pesquisa visa contribuir para uma melhor previsão de dias extremamente quentes nas condições atuais, e uma melhor antecipação de como suas estatísticas serão impactadas pelas mudanças climáticas. Assim, ela espera ajudar a abrir  o caminho para os políticos se adaptarem às condições futuras.