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Luna Lumonaco, vencedora do Para Mulheres na Ciência 2018, estuda o Conjunto de Mandelbrot, buscando cópias dentro e fora dele

16.10.2018

Pesquisadora procura cópias do fractal Conjunto de Mandelbrot, objeto geométrico complexo, em ramos diferentes da Matemática

A cientista matemática Luna Lomonaco percorreu um longo caminho antes de se estabelecer no Instituto de Matemática e Estatística da Universidade de São Paulo (IME/USP). De origem italiana, a pesquisadora começou sua graduação na cidade de Pádua, na Itália. Insatisfeita com o comportamento machista dos professores, decidiu terminar o curso em Barcelona, na Espanha, e ainda passou por países como Dinamarca, China e Estados Unidos. Para Luna, o prêmio L’Oréal-UNESCO-ABC Para Mulheres na Ciência é uma forma de criar mais referências femininas na área, principalmente no ramo da matemática pura. “Nos cursos que dou, não é incomum eu ser a única mulher na sala”, diz.

Para a pesquisadora, o ambiente acadêmico da USP é um dos melhores para estudar sistemas dinâmicos, seu tema de pesquisa. Esses sistemas mudam de comportamento ao longo do tempo, mas, ao se identificar padrões, é possível prever como vão se comportar no futuro. Essa linha de pesquisa pode ser aplicada em diversos campos para prever, por exemplo, fluxo de rios, evolução de epidemias e condições climáticas. No entanto, Luna se dedica aos desafios teóricos trazidos pelo tema: os fractais, figura geométrica em que cada parte é, na realidade, a cópia em miniatura do todo.

Conjunto de Mandelbrot pode estar presente em diversas áreas da matemática

No projeto, Luna Lomonaco se concentra no fractal mais conhecido – o Conjunto de Mandelbrot – para identificar suas cópias dentro e fora do sistema. “O mundo é escrito em caráter matemático. A gente entende por meio da matemática, porque o nosso raciocínio segue padrões lógicos”, conta a pesquisadora.

Os fractais se caracterizam por serem autossemelhantes, ou seja, apresentam aproximadamente a mesma estrutura a cada zoom. A pesquisa de Luna se divide em duas partes. Na primeira, a matemática se concentra nas chamadas cópias satélites, que estão dentro do fractal, e busca demonstrar que algumas dessas cópias – apenas quando em determinadas condições – são muito parecidas geometricamente entre si. Já na segunda parte, Luna procura as cópias fora do conjunto, em uma tentativa de demonstrar a existência do Mandelbrot em diferentes âmbitos da Matemática. “Isso é algo que me encanta no estudo de sistemas dinâmicos; ele consegue conjugar várias áreas da matemática”, conta. “Acho muito interessante encontrar analogias em mundos diferentes”.

Para cientista, programa ajuda a quebrar estereótipos de gênero na Matemática

Sobre o prêmio, Luna conta que se inscreveu por insistência de um amigo, sem muita convicção. “Fui pega totalmente de surpresa”, diz a matemática sobre o momento em que recebeu a ligação do presidente da ABC (Academia Brasileira de Ciências), Luiz Davidovich, sobre o resultado do prêmio. Uma de suas maiores inspirações é sua professora do ensino básico na Itália, Sonia Venuti, que já questionava estereótipos de gênero ao criticar a divisão de brincadeiras entre meninos e meninas. “O prêmio da L’Oréal vem para mostrar que é possível ser mulher e cientista”, finaliza.