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Luciana Borio: quem é a médica brasileira convidada por Biden para o conselho americano contra Covid-19

16.11.2020

Cientista é parte do comitê de 13 especialistas formado pelo presidente eleito dos EUA para combate ao coronavírus no país

 

Uma cientista brasileira acaba de ser convocada a fazer parte do conselho consultivo de Joe Biden para o combate ao coronavírus e aos efeitos da pandemia nos Estados Unidos. Após o convite feito na última semana (9), Luciana Borio, que é especializada em biodefesa e formada pela Escola de Medicina de Ciências da Saúde da Universidade George Washington, se uniu a mais 12 cientistas e especialistas em saúde pública para integrar a força-tarefa que vai gerenciar os efeitos e desdobramentos da Covid-19 no país. E agora, quer saber por que Luciana chamou atenção do presidente eleito dos EUA como alguém importante para compor esse time? Continue lendo a matéria e saiba mais sobre a trajetória da carioca na ciência!

 

Cientista já foi cientista-chefe da FDA e começou a trabalhar no governo americano durante presidência de George W. Bush

 

Nascida no Rio de Janeiro, Luciana mora nos EUA desde o fim da década de 1980 e é bastante conhecida por sua atuação intensa na área de doenças infecciosas. Especializada em biodefesa, ela é pesquisadora sênior de saúde global do Conselho de Relações Exteriores dos EUA, já trabalhou como cientista-chefe interina da Food and Drug Administration (FDA), órgão fiscalizador sanitário do país, e também foi diretora de preparação médica e de biodefesa do Conselho de Segurança Nacional do país – que assessora a Casa Branca. Ao longo da carreira, ela foi peça-chave no desenvolvimento de medidas para lidar com a pandemia de H1N1, o surto de ebola e o do vírus Zika.

 

Sua dedicação ao trabalho para o governo americano, por sinal, começou durante a gestão de George W. Bush, depois dos ataques de 11 de setembro, continuando em posições de liderança durante os anos em que o país foi governado por Barack Obama e Donald Trump. Vale destacar que ela faz parte do quadro de especialistas do centro de estudos Council on Foreign Relations, em que pessoas que saem de um governo costumam trabalhar até serem chamadas para outro. Atualmente, Luciana é vice-presidente da In-Q-Tel – uma empresa de investimento que acelera o desenvolvimento e lançamento de tecnologias para serem usadas pelo governo americano.

 

Luciana se tornou figura conhecida por seus posicionamentos a respeito da Covid-19

 

Enquanto trabalhava como assessora da Casa Branca, em 2018, Luciana chegou a alertar sobre a possibilidade de uma pandemia de gripe como a maior ameaça sanitária por vir no país. Na época, durante uma palestra sobre os 100 anos da gripe espanhola, a cientista afirmou que o país não estaria pronto para lidar com uma situação de tamanha proporção – mas, no mesmo mês, seu departamento, que seria o responsável por responder a uma pandemia do tipo, foi fechado.

 

No ano seguinte, Luciana pediu demissão da Casa Branca, mas se manteve por perto durante a crise da Covid-19 neste ano. Defensora do fortalecimento das medidas de distanciamento social e do aumento no número de testes na população, ela afirmou em entrevista ao Brazil Journal que, uma vez que estamos na “era das epidemias”, é necessário que existam sistemas globais capazes de detectar ondas de doenças e, assim, seja possível tomar as medidas necessárias antes que elas se tornem pandemias afetando todo o mundo. 

 

Além disso, desde o início da pandemia do coronavírus, a cientista se tornou uma das vozes mais críticas ao uso da cloroquina como tratamento da Covid-19 antes que sua eficácia fosse comprovada cientificamente. Já sobre vacinas, sua postura também costuma ser cautelosa. Em entrevista à revista Politico, ela disse: “uma solução definitiva requer uma grande disponibilidade de uma ou mais vacinas seguras e eficazes, mas elas não virão tão rápido. […] Mesmo que funcione, será necessário uma manufatura de larga escala e bastante tempo até que ela seja disponibilizada para todos”.

 

Como parte do conselho, Luciana ajudará Biden a combater o coronavírus por meio da ciência 

 

Agora, como parte da força-tarefa do governo de transição – que será liderada pelos médicos David Kessler, Marcella Nunez-Smith e Vivek Murthy -, Luciana tem um longo caminho pela frente. Os Estados Unidos são o país mais afetado pela pandemia, tanto em número de casos confirmados quanto em número de mortes pela Covid-19. No conselho, o papel da cientista e dos outros especialistas será, nas palavras de Biden, “gerenciar o aumento nas infecções relatadas; garantir que as vacinas sejam seguras, eficazes e distribuídas de forma eficiente, equitativa e gratuita; e proteger as populações em risco”.