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L’Oréal Brasil, UNESCO e ABC divulgam as 7 vencedoras do programa Para Mulheres na Ciência 2020

20.08.2020

Trabalhos reconhecidos na 15ª edição do programa estudam temas como os efeitos da pandemia da COVID-19 na saúde mental e métodos de preservação de plantações de soja 

 

Com a rápida disseminação do coronavírus, se tornou ainda mais evidente o papel chave da ciência em solucionar os grandes desafios do mundo – e, para ajudar nessa tarefa, a ciência precisa de mulheres, como as 7 ganhadoras da 15ª edição do Programa Para Mulheres na Ciência! Avaliar os efeitos da pandemia da COVID-19 sobre a saúde mental de adolescentes, pesquisar a origem dos raios cósmicos e sua possível relação com galáxias de intensa formação de estrelas e desenvolver um método para preservar plantações de soja em períodos inesperados de seca são alguns objetivos dos trabalhos das vencedoras da edição 2020.

 

Promovido pela L’Oréal Brasil, em parceria com a UNESCO no Brasil e a Academia Brasileira de Ciências (ABC), o programa tem como objetivo transformar o cenário científico por meio do empoderamento feminino na área – por isso, já premiou mais de 100 pesquisadoras, distribuindo mais de R$4,5 milhões em bolsas-auxílio. A partir desse ano, por sinal, o prêmio ainda traz uma novidade: A UNESCO dará um treinamento para cada uma das sete cientistas, com duração de dois dias, incluindo webinars sobre gênero, carreira, media training e outros assuntos relacionados às mulheres na ciência. 

 

E agora, que tal conhecer as novas pesquisadoras do time? Saiba mais sobre as ganhadoras das 4 categorias na matéria!

 

1) CIÊNCIAS DA VIDA: 

 

Vivian Costa:

Com a pandemia do coronavírus, trabalhos como o da microbiologista Vivian Costa, da UFMG, se tornaram ainda mais relevantes. No dia a dia, ela pesquisa soluções para identificar e tratar formas graves da dengue e outras doenças virais, como zika, chikungunya e até Covid-19. “Em casos como esse, não adianta enfrentar só o vírus ou só a inflamação. É preciso desenvolver procedimentos que atuem nas duas frentes, reduzindo a carga viral e a inflamação excessiva causada pelo coronavírus. Estamos muito comprometidos em fazer a nossa parte, inclusive tenho alunos trabalhando voluntariamente nos diagnósticos de Covid-19”, afirma a pesquisadora.

 

Luciana Tovo:

Também ganhadora da categoria Ciências da Vida, a bióloga Luciana Tovo, da UFPEL – RS, foi reconhecida por sua pesquisa sobre os efeitos da pandemia de Covid-19 no estresse crônico de adolescentes. “Sabemos que a infância e a adolescência são períodos da vida críticos para início de transtornos psiquiátricos, como depressão e ansiedade”, argumenta Luciana. Para medir o estresse antes e após a pandemia, e estabelecer uma medida acurada, a solução dada por Luciana foi a medição de estresse a partir do cortisol capilar. “O cabelo cresce, em média, um centímetro por mês. Avaliamos os três centímetros mais próximos da raiz, de modo a mensurar o estresse vivenciado nos três meses anteriores à coleta”, explica a cientista.

 

Andreia Melo:

Já a oncologista mineira Andreia Melo, pesquisadora do INCA – RJ, foi escolhida pelo seu estudo para aperfeiçoar a imunoterapia contra o melanoma de mucosa, um tipo de câncer raro e grave, para o qual a sobrevida mediana é menor que 12 meses. A proposta de Andreia é um estudo translacional, que envolve desde análises em laboratório até uma proposta clínica. Dependendo das características moleculares dos tumores, um paciente pode enfrentar a enfermidade de forma mais ou menos favorável. “Muito do que se faz hoje, na oncologia, é buscar essas diferentes características para entender qual vai ser o desfecho da doença”, explica a pesquisadora.

 

Fernanda Farnese:

Ainda na categoria Ciências da Vida, a bióloga Fernanda Farnese, do Instituto Federal Goiano foi premiada por desenvolver um método para preservar plantações de soja em períodos inesperados de seca. “Previsões apontam para uma redução de até 30% das chuvas no Brasil até o fim do século”, destaca Fernanda. Ao perceber os impactos dos veranicos sobre a soja, teve a ideia de aspergir um líquido com substâncias produtoras do gás sobre as folhas da planta. “O óxido nítrico altera o metabolismo da planta, intensificando mecanismos de defesa e, dessa forma, aumentando a tolerância à seca. Constatamos um crescimento de 60% na produtividade da soja”, conta.

 

2) CIÊNCIAS FÍSICAS

 

Rita de Cássia: 

Dentro da categoria de Ciências Físicas, a contemplada da região Sul do país é a física Rita de Cássia dos Anjos, da UFPR. Uma das perguntas que motivam Rita é se galáxias em que há intensa formação de estrelas, conhecidas como galáxias starburst – que estão entre as mais luminosas do universo e apresentam fortes ventos – podem ser fontes de aceleração e propagação de raios cósmicos. Como pesquisadora negra, Rita já vivenciou diversas situações de racismo dentro e fora da academia, e acredita na importância de aumentar as oportunidades de acesso e representatividade da população negra nas carreiras de maior prestígio e remuneração. 

 

A cientista colabora com o projeto “Rocket Girls: Meninas na Astronomia e na Astronáutica”, que realiza atividades em robótica, arduino e astronomia com meninas de escolas públicas de Palotina, Paraná. A ideia é motivar as jovens a se interessarem pelas ciências exatas, área historicamente excludente e masculina. “Quando você mostra que passou por dificuldades, quando você fala da sua realidade e mostra para as meninas que é possível, elas se animam”, reflete Rita.

 

3) CIÊNCIAS QUÍMICAS

 

Daniela Truzzi:

A cada ano, os quatorze membros do júri do programa selecionam trabalhos com potencial de encontrar soluções para importantes questões ambientais, econômicas e de saúde, como é o caso do trabalho da química Daniela Truzzi, da Universidade de São Paulo (USP), que busca compreender o funcionamento do óxido nítrico, gás relacionado a diversos processos, como a contração dos vasos sanguíneos, a defesa imunológica e a cicatrização de tecidos. “Sabemos pouco sobre o que o óxido nítrico produz. Aprofundar esse conhecimento é fundamental para entender melhor os processos nos quais ele está envolvido”, explica a química.

 

4) CIÊNCIAS MATEMÁTICAS

 

María Amelia Salazar: 

Laureada na categoria Matemática, María Amelia Salazar, da Universidade Federal Fluminense, no Rio de Janeiro, estuda estruturas geométricas abstratas e complexas, contribuindo para uma nova área da matemática. Seu objeto de estudo remonta de uma teoria da simetria contínua e sua aplicação ao estudo da geometria e das equações diferenciais, do século 19. “É uma história bonita, porque faz a ponte entre duas áreas da matemática que, em princípio, não tinham a ver uma com a outra”, admira a pesquisadora.