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Jurados do programa L’Oréal-UNESCO-ABC Para Mulheres na Ciência dão dicas às candidatas da edição de 2018

26.03.2018

Conheça algumas das expectativas dos membros do júri e a opinião deles sobre a importância do programa

O lema “tentativa e erro” faz parte da vida das cientistas, mas o medo de falhar em suas pesquisas e estudos não deve impedi-las de seguir com seus projetos. Esse é o maior recado dado pelos jurados do L’Oréal-UNESCO-ABC Para Mulheres na Ciência para aquelas que vão se candidatar à edição de 2018 do programa. Márcia Barbosa, que compõe o júri ao lado de Luiz Davidovich, Marcelo Viana, Belita Koiller e Beatriz Barbuy, afirma que “Nós mulheres somos tímidas em tentar” e completa:  “Só temos certeza de não ganhar, quando não tentamos.”

Da originalidade do tema à apresentação: dicas práticas de como atender às expectativas dos jurados

Os cinco jurados garantem que não há um tema ou área que seja priorizada: as principais preocupações das candidatas devem ser originalidade, qualidade e ousadia de seus trabalhos.

  1. Busque referências e inspirações

Para quem está em busca de referências, o conselho de Beatriz Barbuy é prestar atenção no que está sendo desenvolvido na área através das revistas científicas. “Além disso, a descrição do projeto também é importante”, completou. Inspirar-se em vencedoras anteriores também é válido, como sugeriu Márcia: “Leiam as entrevistas das ganhadoras anteriores e percebam que a pesquisa de vocês é tão maravilhosa quanto as delas, e percebam a gana com a qual elas falam do seu trabalho.”

  1. Destaque a relevância do projeto e da sua trajetória profissional

Também é preciso estar atenta na hora de produzir sua apresentação, como aconselhou Belita Koiller. “T​odos os documentos devem ser preparados com atenção, visando destacar a qualidade e importância do projeto, as conquistas já atingidas durante a formação profissional da candidata, qualificando-a para a execução do projeto apresentado.” Entretanto, todos concordam que, apesar das inseguranças, inscrever-se e enviar o projeto, de fato, é a parte mais importante do processo. “Não acontecendo a inscrição a chance de sucesso na premiação é nula”, ressaltou Belita.

  1. Se não der certo na primeira tentativa, persista!

Os mesmos conselhos se aplicam para aquelas que não conquistaram o prêmio em edições anteriores, mas pensam em se inscrever novamente no Para Mulheres na Ciência. “A chance de ser vencedora aumenta com a experiência. Não desistam!”, pede Luiz Davidovich. “São muitos os exemplos de cientistas que foram premiadas após se candidatarem ao prêmio mais de uma vez.” Marcelo Viana acrescenta: “​Este é um programa que visa realçar o papel da mulher como agente do avanço do conhecimento. E destacar que ciência é lugar de mulher, sim. É importante que as nossas jovens cientistas acreditem nesse axioma, acreditem em si mesmas e apostem em seu potencial como pesquisadoras.​”

Empoderamento feminino: por mais mulheres na ciência

Para os cinco jurados – que também são professores de áreas como Física e Matemática -, a expectativa para a edição de 2018 do programa é grande. “Estou certo de que estaremos mais uma vez testemunhando a qualidade das cientistas brasileiras”, espera Luiz Davidovich, que é Presidente do júri do programa e da Academia Brasileira de Ciências. “Nas últimas edições, foi difícil escolher as vencedoras devido à alta relevância dos trabalhos apresentados.” Márcia acrescenta que o momento histórico favorece o empoderamento feminino: “Estamos na era do HeforShe, #MeToo,  e a recente assinatura do documento das Nações Unidas Equality and Parity in Science for Peace and Development que se alia ao movimento de ampliar a participação feminina na ciência.”

A área da ciência ainda apresenta incidências de desigualdade de gênero. “Ao mesmo tempo que sabemos que isso é o resultado de uma combinação de muitos fatores, muitos dos quais são externos ao universo científico, é importante que a comunidade tenha consciência da necessidade de combater esse estado de coisas, que priva a ciência da contribuição de metade da humanidade”, definiu Marcelo Viana.

Os jurados acreditam que iniciativas como o Para Mulheres na Ciência podem ajudar na construção de uma mudança nesse cenário.  “Precisamos apoiar estas jovens agora e nos manter atentas para a caminhada delas”, concluiu Márcia Barbosa. O presidente do júri finaliza: “A divulgação que tem sido feita dos trabalhos das vencedoras, sempre com muito entusiasmo e paixão, incentiva jovens mulheres a seguir a carreira científica. Esse programa está ajudando a atrair para a ciência futuras pesquisadoras, tanto no âmbito nacional como no internacional. É uma das mais nobres atividades da Academia Brasileira de Ciências, que participa, com grande entusiasmo, dessa grande iniciativa”.