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Jaqueline Mesquita, vencedora do prêmio Para Mulheres na Ciência, pesquisa problemas com equações diferenciais e dinâmicas e defende a diversidade de gênero na Matemática

04.09.2019

A pesquisadora acredita que o reconhecimento da premiação ajuda a dar mais visibilidade para sua área de atuação e incentiva a entrada de mais mulheres no campo científico

Com apenas 33 anos, Jaqueline Mesquita, professora e pesquisadora na Universidade Brasília, já coleciona vários prêmios pelo trabalho que desenvolve em sua área de expertise: a matemática. No entanto, para ela, conquistar o prêmio Para Mulheres na Ciência tem um gostinho ainda mais especial, por ser voltado exclusivamente para as cientistas. 

Com trabalhos desenvolvidos não só no Brasil, como também República Tcheca, Chile e Alemanha, onde mora atualmente, Jaqueline acredita que sua área de atuação é ainda cercada de estereótipos e a desigualdade de gênero prejudica o desenvolvimento  da ciência. “Todo ambiente criativo precisa de diversidade. E as mulheres podem trazer mais diversidade para a matemática”, defende a pesquisadora. 

As equações matemáticas estudadas por Jaqueline podem ser aplicadas em casos de doenças como zika e células cancerígenas

A matemática é considerada por muitos uma das disciplinas mais difíceis, mas, para Jaqueline Mesquita, ela é uma ferramenta que ajuda a descrever fenômenos da natureza, como crescimento populacional de alguma região ou os efeitos de um medicamento no organismo humano. Seus estudos se concentram nas equações diferenciais funcionais em medida e nas equações dinâmicas funcionais em escalas temporais. 

“Normalmente, estudamos o tempo como se fosse contínuo. Mas as escalas temporais permitem abranger outras possibilidades, como considerar o tempo discreto, quântico ou híbrido, entre outros. Desta forma, num estudo envolvendo equações em escala temporal, é possível, por exemplo, modelar populações de insetos que têm seus ovos incubados durante certos períodos”, explica.

Assim, a especialista pretende impulsionar essa área da matemática que é relativamente recente, mas que vem crescendo nos últimos anos pela sua aplicabilidade, contribuindo para estudos em doenças como zika e câncer. 

“Quero levar os estudantes para conhecer a universidade”, planeja Jaqueline, que também se dedica à divulgação científica para alunos de escolas públicas

Além de se dedicar às pesquisas matemáticas, Jaqueline ainda divide seu tempo com a orientação da sua primeira aluna de doutorado e as atividades de divulgação científica em escolas públicas. Para ela, estar em contato com os estudantes é uma forma de desmistificar a profissão e todos os seus estereótipos. “Já na infância a gente vai criando a ideia de que esta é uma profissão para homens. As meninas nunca são estimuladas a ir para as áreas exatas. Eu ouvi: ‘você não parece matemática, você nem usa óculos’. Na minha turma da graduação, éramos 36 alunos, mas apenas sete mulheres”.

Antes incentivada por agências de fomento, Jaqueline passou a se dedicar à divulgação científica nas escolas por conta própria. “No começo, fiquei preocupada, mas gostei muito da experiência de levar aos alunos um olhar diferente sobre a matemática”. Agora pretende usar parte dos recursos recebidos pelo prêmio Para Mulheres na Ciência para continuar estimulando os jovens estudantes a se interessar pela área. “Quero levar os estudantes para conhecer a universidade”, planeja.