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Inspiração: vencedoras do L’Oréal-UNESCO-ABC Para Mulheres na Ciência 2016 contam como suas pesquisas avançaram após o prêmio

09.04.2018

Em um ambiente onde ainda há grandes índices de desigualdade de gênero, o programa Para Mulheres na Ciência foi de muita importância nas carreiras de Cláudia Suemoto (Medicina), Denise Fonseca (Biomedicina) e Fernanda Werneck (Biologia). Pouco mais de um ano depois de receberem o prêmio, as três selecionadas na edição de 2016 contam como o programa ajudou não apenas a avançar em suas descobertas, mas também as motivou a persistir em suas pesquisas.

Depois da premiação, as vencedoras sentiram que seus trabalhos ganharam mais reconhecimento – não só da comunidade científica e de seus respectivos grupos de estudos, mas também de seus próprios círculos pessoais e da grande mídia. “O prêmio rendeu uma visibilidade muito grande para o nosso trabalho”, comemora Denise. “Ver os frutos ajudou não ajudou só a minha família, mas as pessoas que estão em volta também, a entender o que eu faço”, comenta Cláudia sobre o apoio de pessoas próximas. Fernanda acrescenta: “O prêmio foi muito revigorante não só para minha a motivação, mas para todo o grupo de pesquisa. Os alunos se empolgaram muito, ficaram muito felizes por mim e por ter uma referência feminina”.

A premiação, uma bolsa-auxílio de 50 mil reais, para as sete pesquisadoras vencedoras da edição nacional, foi aplicada na evolução dos trabalhos ao longo de um ano. Fernanda, Claudia e Denise contam que a bolsa foi essencial para conseguir recursos necessários à evolução da pesquisa, como reagentes, materiais de laboratório, divulgação científica ou gastos para expedições de campo.

Laureadas dão dicas para as candidatas da edição de 2018

Para quem está pensando em se inscrever na 13ª edição do Para Mulheres na Ciência, Cláudia, Denise e Fernanda compartilham alguns conselhos para garantir um projeto bem apresentado. “Antes de mais nada é essencial mostrar a importância do trabalho que está sendo proposto. Por mais complexo que o assunto possa ser, ele deve ser apresentado de maneira clara e simples para que todos possam compreender o impacto da sua pesquisa, quais questões ela aborda e como pretende resolvê-las”, resume Denise.

Fernanda acrescenta que todos os tipos de pesquisas são válidos, sejam elas básicas ou aplicadas a um objeto ou fim específicos. Para ela, exercitar o poder de síntese e usar uma linguagem acessível é fundamental: “Os jurados serão de várias áreas”, justifica. Claudia aconselha que as candidatas destaquem em seus projetos a importância de suas pesquisas para o meio acadêmico e como elas podem ser traduzidas em benefícios sociais. Além disso, ela acrescenta que tentar e materializar, de fato, a inscrição é o primeiro passo e pode fazer toda a diferença.
Por uma ciência brasileira feita por mulheres

Denise define o programa como uma “oportunidade ímpar de destaque para as pesquisas de ponta que vem sendo desenvolvidas por nós mulheres”. Claudia também destaca a necessidade de uma “ciência brasileira”: “Eu pesquiso demência e, na minha área, 99% da evidência é americana ou europeia. Nós precisamos de pesquisas daqui para que a gente possa ajudar as pessoas no Brasil”. Fernanda acredita que o prêmio continua uma iniciativa inovadora para dar mais um passo até a igualdade de gênero, mesmo depois de 13 anos de existência. “A promoção de mecanismos para manter a mulher na ciência é extremamente importante”, completa. “O prêmio é um atrativo nacional para essa discussão”.

Inspire-se com suas histórias e inscreva-se na edição de 2018!