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Dia do Químico: inspire-se com 5 cientistas que foram premiadas pelo Para Mulheres na Ciência

15.06.2018

Pesquisadoras usam a química para proteger o meio ambiente e cuidar da população do país

Poucas áreas conseguem criar conexões entre diferentes ciências quanto a Química. Presente nas ciências naturais e em inúmeras tecnologias do dia a dia, seu principal objeto de estudo é a matéria – de sua composição, estrutura e propriedades às famosas reações químicas. No Dia do Químico, comemorado em 18 de junho, é importante enaltecer o trabalho das pesquisadoras brasileiras que unem a Química a seus esforços de preservar o meio ambiente, estimular a economia regional ou buscar tratamentos para populações em risco. Desde 2006, o programa L’Oréal-UNESCO-ABC Para Mulheres na Ciência já reconheceu essas e outras 80 profissionais das mais diversas áreas do conhecimento.

Inspire-se com os projetos de cinco químicas vencedoras:

Elisama Vieira: química e sustentabilidade

Formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), a química Elisama Vieira se dedica à causa da sustentabilidade. O projeto vencedor da edição de 2016 usava a tecnologia eletroquímica para descontaminação do solo, prejudicado pelo acúmulo de pesticidas e metais pesados. “Além da preocupação em remover os contaminantes do meio ambiente, surgiu o interesse em monitorar estes contaminantes por sensores eletroquímicos que permitam uma análise de baixo custo e ambientalmente correta”, explica Elisama. “Hoje, atuando como professora sinto-me honrada em poder contribuir para a formação de futuros pesquisadores, e poder ajudar na resolução de problemas enfrentados nos dias atuais”.

Joyce Kelly: a química na indústria da beleza

Pesquisadora da Universidade Federal do Pará (UFPA), Joyce Kelly foi vencedora da edição de 2013 do Para Mulheres na Ciência. No projeto enviado, a química investigava as aplicações dos óleos essenciais típicos da região amazônica – principalmente na indústria da beleza. O foco era a função dos óleos como inibidores da tirosinase, enzima importante na síntese da melanina e que podem atuar como clareadores. “Conhecer os aspectos químicos destes insumos é muito importante para o controle de qualidade e consequentemente da eficácia dos produtos gerados”, conta Joyce. “Os resultados das minhas pesquisas visam o melhor aproveitamento da flora aromática da Amazônia com objetivo de melhorar a economia da região.”

Márcia Mesko: inovação reconhecida internacionalmente

O trabalho da cientista Márcia Mesko, vencedora da edição de 2012, estudava a capacidade da microalga Chlorella vulgaris – usada em produtos de beleza para potencializar sua ação – de absorver nanopartículas de dióxido de titânio presentes na água. Química formada pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e professora da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Márcia foi a primeira mulher latino-americana a receber o prêmio Pesquisador Emergente da Real Sociedade de Química do Reino Unido, que reconhece o trabalho de jovens cientistas. “Com o programa, a mulher consegue se enxergar como pesquisadora, quando muitas vezes está reprimida em um universo que não a reconhece ou não quer reconhecer.. São uma forma das mulheres se auto afirmarem nessas áreas”, analisa Márcia.

 

Mariana Antunes: rejeitos que se transformam em matéria-prima

A especialidade de Mariana Antunes, vencedora da edição de 2011 do programa, é a Química Analítica, que trata da identificação ou quantificação de espécies ou elementos químicos. Também professora da Universidade Federal de Pelotas, seu projeto buscava formas de analisar e controlar a glicerina resultante da produção de biodiesel no Brasil. Um dos objetivos era que ela pudesse ser aproveitada como matéria-prima pelas indústrias de cosméticos e alimentos. “O prêmio Para Mulheres na Ciência continua abrindo novos caminhos nas minhas pesquisas e tem sempre me encorajado a seguir em frente, ainda mais hoje que praticamente não existe política pública de apoio para mães cientistas”, conta Mariana.

Káthia Honório: a química no tratamento de doenças graves

Já a química Káthia Honório, premiada em 2010, atua principalmente no ramo da Química medicinal, combinada à metodologia computacional. No trabalho vencedor, a pesquisadora procurava meios de inibir a sinalização TGF-beta por meio de planejamento de substâncias químicas, o que poderia auxiliar no tratamento de doenças graves como câncer e fibrose. Para ela, o prêmio até hoje serve como inspiração para suas alunas. “As mulheres têm várias jornadas que às vezes não são tão reconhecidas como deveriam”, diz ela. “A visibilidade é sempre marcante. É um incentivo para as jovens cientistas, que devem sempre almejar coisas maiores”.