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Dia das Mulheres e Meninas na Ciência: conheça a história da estudante que venceu desafios e passou para intercâmbio em Harvard

11.02.2019

Nathália Oliveira, estudante de medicina da USP, fala sobre os estudos e a importância de modelos femininos para inspirar outras mulheres na carreira científica

Ter fé e persistência foi fundamental para a trajetória de Nathália Oliveira, de 22 anos. Hoje aluna de Medicina na Universidade de São Paulo (USP) – uma das mais concorridas do país -, a jovem cresceu na periferia de SP e passou por alguns desafios para alcançar seus sonhos. Um deles foi conciliar a bolsa no pré-vestibular com os estudos em uma escola técnica (a cerca de 50km uma da outra). O resultado do esforço chegou alguns anos depois, quando foi aprovada em cinco universidades públicas.

Mas a trajetória de Nathália não parou por aí: no ano passado, ela foi aprovada para um intercâmbio de um ano na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. Uma oportunidade para interagir com renomados cientistas e se dedicar à pesquisa em uma das principais universidades do mundo. Para arcar com os custos da viagem, ela contou com a ajuda de amigos e vendeu pães de mel. Deu tudo certo no final!

De Boston, Nathália falou da sua trajetória de vida e da importância de ter modelos de cientistas mulheres para inspirar outras meninas. Uma homenagem ao Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência!

Confira a entrevista:

PMNC: Como surgiu seu interesse pela Ciência e, em especial, pela Medicina?

Nathália: Meu interesse surgiu após o ingresso na faculdade de Medicina da USP. Acredito que o médico é capaz de transformar a realidade de pessoas com o seu exercício profissional, porque tem em mãos a possibilidade de fazer o melhor por cada vida em cada atendimento. Dentro da faculdade descobri que há outra maneira de fazer o melhor pelos pacientes: com as descobertas científicas. 

O que te motivou a continuar em busca dos seus sonhos?

Quando a gente acredita nos nossos sonhos, vemos que há propósitos verdadeiros em cada um deles, então não há porque desistir em meio às dificuldades. Não foi de primeira que passei no vestibular e minha família não teria condições de arcar com os custos de um intercâmbio nos Estados Unidos. Precisei me valer da fé e da persistência para não deixar de acreditar. 

Como tem sido a experiência de viver em Boston e estudar no exterior?

A cada dia, me maravilho em perceber que estou vivendo em Boston, tendo a oportunidade de aprender coisas novas e estar inserida em projetos com pesquisadores de Harvard. Estudar no exterior tem sido uma experiência única que vou levar para toda a vida e vai refletir em grande crescimento pessoal e profissional. 

Quais conselhos você daria às estudantes que pensam em fazer um intercâmbio de pesquisa?

Sigam em frente nos seus projetos, não desprezem oportunidades que surgirem e criem oportunidades quando elas aparentemente não existirem. Procurem sempre fazer o seu melhor, em tudo que chegar a mão para ser feito, pois isso é bom e agradável a todos. Além disso, acredite no seu potencial e tenha fé! 

Alguma mulher cientista te inspirou durante sua trajetória? Qual a importância de meninas terem esse modelo ainda na infância?

Tive como inspiração para a pesquisa científica algumas mulheres, como ai minha orientadora de iniciação científica e uma médica assistencial e pesquisadora da faculdade de Medicina da USP.

Acredito que, assim como tive um modelo, uma menina precisa ter em quem se inspirar. Conhecer a história de pessoas cria identificação, e isso certamente vai incentivá-la a acreditar em seu potencial e buscar uma carreira científica. Quando não há exemplos, é como se fosse algo impossível e inalcançável. Faço questão de falar isso porque é esse o motivo de eu continuar a falar sobre a minha trajetória sempre que me dão oportunidade: para que outras pessoas possam se identificar, serem motivadas a acreditar em seus sonhos, e a superar as expectativas criadas.