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Conheça Viviane Almeida, professora de Ciências que debate questões sociais e de gênero através da Física Nuclear

06.02.2020

Através de laboratórios, professora busca entender como se formam os estereótipos de gênero e de que forma eles podem impactar a carreira de mulheres cientistas

 

Foi por meio de sua trajetória acadêmica inspiradora no campo da Física que Viviane Almeida, professora da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, tornou-se destaque durante o Prêmio Carolina Nemes 2019, que visa reconhecer as contribuições femininas para o desenvolvimento da física brasileira e diminuir a desigualdade de gênero na área. Em entrevista a Sociedade Brasileira de Física, a pesquisadora contou como conseguiu estabelecer uma carreira científica de nível internacional em Física Nuclear Experimental, mesmo com uma série de obstáculos financeiros, pessoais e de saúde ao longo de seus 40 anos de vida. Além disso, a professora explicou como, hoje, utiliza a Ciência como principal ferramenta para debater questões sociais e de gênero. 

 

Projeto usa oficinas e experimentos da Física para levar representatividade ao meio acadêmico

Viviane conta que, desde a passagem do cometa Halley, em 1986, quis se tornar cientista. Mas, ainda assim, não via a universidade pública como um lugar a qual pudesse pertencer. Foi aos 13 anos que a pesquisadora decidiu se formar como técnica em Eletrotécnica e trilhou seus passos até concluir a pós-graduação. Hoje, Viviane aplica sua experiência e conhecimento no Laboratório de Estudos sobre Feminismo e Racismos nas Ciências Exatas, o LEFERCE, patrocinado pela PROEXT-UFRRJ.

Dessa forma, a cientista busca entender de que forma a violência de gênero – que vai do assédio de gênero, o machismo, até o assédio sexual e o estupro –  impacta na carreira das mulheres que fazem Física, visto que, ao longo do tempo, observa-se que há um efeito tesoura na trajetória dessas pessoas, com uma representatividade no início da carreira que diminui com o passar do tempo.

Além disso, Viviane também busca compreender como se dão os estereótipos de gênero e étnico-raciais nas Ciências Exatas. Para isso, a professora realiza pesquisas e oficinas com estudantes do Ensino Fundamental à Pós-Graduação, contando a história da Ciência e  mostrando a contribuição de mulheres e negros para o desenvolvimento da área. Com isso, a pesquisadora acredita que é possível incentivar a participação de outras mulheres e garantir que as atuantes não desistam por falta de oportunidades

 

Determinação e apoio foram a chave para o sucesso da pesquisadora

Para Viviane, além das barreiras de gênero da área, foi preciso enfrentar alguns obstáculos pessoais durante a sua trajetória. Apesar disso, a professora afirma que ter uma rede de apoio foi fundamental para sua formação. “Me senti sozinha muitas vezes durante minha carreira. Mas então conheci pessoas que me trouxeram ânimo para trabalhar, tanto nas questões de gênero quanto na pesquisa em física”, contou a pesquisadora durante entrevista. 

Além disso, ela relata como foi importante para sua carreira acadêmica ter uma representação feminina para se espelhar, como a professora Alinka Lépine, que a aceitou como aluna de mestrado no laboratório Pelletron da USP, o único acelerador de Física Nuclear do país. “Ter a Alinka como orientadora foi inspirador, visto que ela, além de ser mulher e extremamente inteligente, atuava como líder de seu grupo de pesquisa. Ter uma mulher como inspiração fez toda a diferença para mim porque, até chegar na USP, só via homens em posição de liderança. Por isso, quero mostrar às pessoas como eu até onde elas podem chegar”, finalizou.