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Conheça o trabalho das cientistas brasileiras que comandam o laboratório de pesquisa por tratamentos para a Covid-19

08.07.2020

Laboratório de Investigação Pulmonar da UFRJ tem equipe 90% feminina e é uma das principais referências no Brasil

 

Com a disseminação do novo coronavírus no Brasil, o dia a dia das pesquisadoras do Laboratório de Investigação Pulmonar do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho, UFRJ, mudou: agora, a equipe 90% feminina passou a se dedicar totalmente aos estudos da Covid-19, tornando o LIP uma das referências do país nas pesquisas por novas terapias para reduzir a letalidade da doença. Quer saber mais sobre o feito das cientistas? Em homenagem ao Dia do Pesquisador, comemorado no dia 08 de julho, vamos contar a história dessas pesquisadoras que têm feito a diferença em um momento desafiador e, de quebra, vêm inspirando meninas e mulheres a investirem na ciência!

 

Com maioria feminina na equipe, laboratório passou a se dedicar aos estudos do tratamento do coronavírus desde março

 

Criado em 2004 com o objetivo de desenvolver estratégias terapêuticas para doenças respiratórias, o LIP hoje conta com 60 profissionais entre técnicos, alunos e professores (sendo a maioria do sexo feminino). Desde março, o laboratório passou a se dedicar a estudos clínicos de novas terapias sobre o novo coronavírus, e a equipe passou a investir também na divulgação de informações no Instagram, Youtube, Facebook e Linkedin. Lá, a equipe do LIP-UFRJ aproveita para tirar dúvidas sobre a doença e mostrar um pouco do trabalho das cientistas.

 

Assim, desde março, cientistas do laboratório dividem o trabalho em três vertentes: estudos clínicos com medicamentos e terapia com células-tronco, pesquisas pré-clínicas sobre como o novo coronavírus age dentro da célula e, por fim, divulgação de informações científicas.

 

Fernanda Ferreira, ganhadora do Para Mulheres na Ciência em 2018, é uma das pesquisadoras do LIP

 

O LIP é liderado por Patricia Rocco, médica membro da Academia Nacional de Medicina e da Academia Brasileira de Ciências que já se dedica ao estudo de doenças pulmonares há três décadas. “A gente, que trabalha com pulmão há mais de 30 anos, tinha que fazer alguma coisa. Como a Covid-19 ataca primariamente o pulmão, nossa função como cientista era a de ajudar”, disse a médica em entrevista ao O Globo. 

 

 

Sobre liderar um laboratório com maioria feminina, Patricia destaca a importância dessa representatividade feminina na ciência mesmo em meio às dificuldades encontradas pelo gênero no meio acadêmico. “Não é simples ser mulher na ciência. Em vários prêmios, conferências, seminários e mesas que participei, eu era a única mulher. Só tem cinco mulheres na Academia Nacional de Medicina e eu sou uma delas. Isso é algo que vai mudando paulatinamente”, contou a pesquisadora na entrevista.

 

 

Na mesma equipe do laboratório, por sinal, está Fernanda Ferreira Cruz, médica, professora adjunta do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho e uma das ganhadoras do prêmio Para Mulheres na Ciência em 2018. Ela contou ao O Globo que entrou no LIP ainda durante a graduação e, hoje, se dedica ao lado de Patricia Rocco no estudo do uso de vesículas extracelulares derivadas de células-tronco no tratamento da Covid-19. “O maior desafio tem sido lidar com a demanda de trabalho e com a pressão que a própria pandemia exerce sobre a gente”, destaca ao jornal.