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Conheça Gabriela Cristina, mestranda em Matemática que usa as redes sociais para estimular mulheres em carreiras científicas

01.11.2019

Apesar das dificuldades, a estudante mostra que a Matemática pode ser divertida e para todos, especialmente para mulheres

Para muitos estudantes, a Matemática ainda é cercada de estereótipos e, muitas vezes, é vista como uma matéria impossível. Mas não para a mestranda Gabriela Cristina. A jovem encontrou nas redes sociais uma forma de mostrar que a matemática é de todos e para todos, inclusive para as mulheres. Em sua página no Instagram @queridamatematica, Gabriela conta sobre sua rotina e relata que, apesar das dificuldades, estudar essa ciência pode ser algo bem divertido.

“Quero mostrar que a Matemática vai além do que aprendemos na sala de aula, vai além de fórmulas, vai além de continhas. Ela é atual, divertida e está em constante construção. Vejo na plataforma uma forma de conquistar os amantes e futuros amantes da rainha das ciências”, conta a estudante. Para isso, ela posta frases motivacionais, convida seguidores a compartilhar informações e dá dicas práticas sobre como estudar de uma forma descontraída e convidativa.

 

“Apesar de todas as dificuldades, tenho a certeza de que estou no caminho certo”, conta a mestranda

Apesar de ser apaixonada pela Matemática, Gabriela já pensou em seguir outras áreas, como Engenharia. Isso porque, segundo a estudante, a carreira acadêmica ainda é muito desvalorizada, o que faz com que alunos bons na disciplina escolham outras áreas, como Engenharia, Computação e Economia. “Desde pequena, sempre quis ser professora, inclusive brincava de dar aula para minhas bonecas. Isso fez com que eu conversasse com minha mãe sobre cursar Matemática. Ela acenou com felicidade e, com o apoio dela, segui meu coração”, revela.

Atualmente, a jovem está no primeiro ano do mestrado e conta que sua rotina se resume em estudar. Além do interesse pela docência, a estudante também investe na área de pesquisa. Mas, apesar da maioria dos matemáticos optarem pela carreira acadêmica, Gabriela conta que existem outras opções no mercado de trabalho, como atuar em bancos, no mercado financeiro e na indústria. Outra área de atuação que tem ganhado bastante destaque é a Matemática Computacional, que envolve questões ligadas à logística, economia e análise de riscos em investimentos.

“Optei pelo Bacharelado porque me interesso por docência e pesquisa. E apesar de todas as dificuldades, que cá para nós não são poucas, tenho a certeza de que estou no caminho certo”, conta.

 

Gabriela acredita que iniciativas que incentivam a participação feminina no meio científico são fundamentais para amenizar preconceitos

A mestranda acredita que a participação de mulheres na Matemática e o interesse pela área tem aumentado, mas de maneira muito lenta. Dados do relatório Gender in the Global Research Landscape mostram que a taxa de trabalhos científicos produzidos por mulheres aumentou 11%, mas esse crescimento é mais expressivo nas ciências biológicas e na saúde quando comparado às ciências exatas. Além disso, o número de mulheres negras nas ciências ainda é pouco expressivo.

Para a estudante, a presença de mulheres na ciência ainda esbarra em preconceitos e machismo, mas iniciativas que incentivam a participação feminina em carreiras científicas exercem papel fundamental para amenizar essa disparidade. “Nesse sentido, o prêmio Para Mulheres na Ciência, da L’Oréal Brasil, em parceria com a UNESCO no Brasil e a Academia Brasileira de Ciências, é importante para empoderar mulheres e gerar representatividade”, defende.

 

“Sejamos sempre persistentes e resilientes para que possamos alcançar o que quisermos”, defende a estudante

Resiliência e persistência. Para Gabriela, são essas as palavras que definem um bom estudante. Resiliência para passar pelos desafios e persistência para seguir a trajetória acadêmica. “Mesmo com as dificuldades surgidas no caminho, o caminhar é gratificante porque sempre estamos aprendendo e descobrindo coisas novas. Meninas, que sejamos sempre persistentes e resilientes para que possamos alcançar o que quisermos.”