Notícia

Como é ser uma mulher cientista? Veja pesquisa feita com 70 vencedoras do Para Mulheres na Ciência

26.10.2020

Dados sobre dia a dia de mulheres cientistas no Brasil apontam desigualdade de gênero e dificuldade com recursos

 

Já se perguntou como é ser cientista no Brasil? E como é ser mulher e fazer ciência por aqui? Em comemoração aos 15 anos do Programa Para Mulheres na Ciência, a L’Oréal Brasil realizou uma pesquisa, desenvolvida pela Kite Insights, e reuniu respostas de 70 vencedoras sobre o assunto. No questionário, foram mapeadas respostas sobre diferentes questões – tanto a respeito da profissão, dia a dia e até vida pessoal de mulheres que decidiram dedicar suas vidas à pesquisa. Tudo para mostrar quais são as principais questões enfrentadas por elas e a importância de prêmios de incentivo ao empoderamento feminino no meio científico. Com os resultados em mãos, separamos os dados mais relevantes abaixo. Confira!

 

 

  • 90% das nossas vencedoras já foram tratadas com falta de respeito por serem mulheres 

 

 

Você, mulher, sente que já foi tratada com falta de respeito por causa do seu gênero? No questionário, 90% das nossas cientistas, sim  – o que significa que a grande maioria já experimentou, pelo menos ocasionalmente, diferentes formas de discriminação apenas por serem mulheres. Na pesquisa, por exemplo, 39% delas diz que já testemunhou ou vivenciou assédio sexual pelo menos uma vez, seja verbal ou físico. Além disso, apenas ¼ delas acredita que mulheres recebem as mesmas oportunidades que homens em seus campos de atuação.

 

 

  • Quase metade das cientistas já teve dificuldade com recursos, equipamentos e financiamento de pesquisas

 

 

Outro fator desafiador para a carreira na ciência, segundo 44% das nossas ganhadoras, é a falta de acesso a recursos ou equipamentos, além dos desafios para garantir financiamento a seus estudos e pesquisas. Esse aspecto reforça ainda mais a importância de investimentos como os do Programa Para Mulheres na Ciência têm para essas profissionais, garantindo uma ajuda extra com a bolsa-auxílio recebida.

 

 

  • 61% acha que ter filhos certamente afetará a carreira de uma mulher na ciência

 

 

Ainda sobre desafios na carreira, dentre muitos fatores citados, mais da metade das entrevistadas disse enxergar a maternidade como algo que necessariamente irá influenciar a sua carreira. Esse pensamento, por sinal, se reflete também em outra estatística levantada pela pesquisa: 49% das entrevistadas afirmam que decisões relacionadas a esse universo – como o número de filhos que pretende ter ou até mesmo quando engravidar, por exemplo – foram tomadas pensando principalmente em suas carreiras.

 

O “buraco” no currículo lattes durante o nascimento dos filhos e a falta de flexibilidade do meio científico em relação a essa pausa para a maternidade são alguns dos desafios enfrentados por mães e cientistas. Graças a movimentos como o Parent In Science, fundado em 2016 pela pesquisadora Fernanda Staniscuaski, mulheres estão trazendo luz a esse debate em busca de mudanças concretas no meio científico.

 

 

  • Apenas 3% das cientistas decidiram seguir uma carreira na ciência por causa da influência familiar

 

 

E, afinal de contas, por que essas mulheres escolheram a ciência? Quando questionadas sobre o motivo dessa escolha, apenas 3% afirmou ter seguido os passos da família – o que mostra como a maioria delas foi pioneira ao abraçar as pesquisas. Dentro de suas principais motivações para desbravar esse desconhecido com a ciência, 76% destacaram a oportunidade de ensinar e mentorear pessoas, e 73% o potencial para grandes descobertas e inovações. Por sinal, mais da metade das entrevistadas atribui o sucesso de suas carreiras à perseverança individual.

 

É por essas e outras particularidades da realidade de uma mulher cientista no país que o Para Mulheres na Ciência é promovido há 15 anos. Por meio do Programa, em parceria com a UNESCO no Brasil e a Academia Brasileira de Ciências, 103 pesquisadoras brasileiras já foram empoderadas a mudarem o cenário científico por meio da inovação e equidade de gênero. Assim, é possível inspirar as mulheres de hoje a transformarem o mundo de amanhã.