Notícia

Cientista brasileira coordena testes de vacina contra COVID-19 criada pela Universidade de Oxford

05.06.2020

Imunologista Daniela Ferreira está à frente da etapa de testagem na Escola de Medicina Tropical de Liverpool

 

Que a vacina contra o coronavírus em desenvolvimento na Universidade de Oxford é uma das esperanças para o combate da COVID-19 você provavelmente já sabe – mas sabia que uma cientista brasileira faz parte da equipe responsável por essa pesquisa? A Imunologista Daniela Ferreira é a especialista em infecções respiratórias e desenvolvimento de vacinas que está à frente da etapa de testagem feita na Escola de Medicina Tropical de Liverpool, um dos 18 centros de pesquisa do Reino Unido convocados pela Universidade para testar o novo imunizante.

 

“O que está acontecendo agora é um trabalho de envolvimento global, com todos os cientistas compartilhando conhecimento em tempo real. A vacina é para o mundo inteiro; tem de haver uma colaboração internacional e tem de ser solidária, não pode ser ditada por interesses comerciais e preços”, explicou Daniela, em entrevista ao jornal “O Estado de S. Paulo”.

 

Pesquisadora brasileira é responsável pelos testes em 550 voluntários: entre dois a seis meses já será possível saber a eficácia da vacina

 

Considerada a mais avançada e uma das mais promissoras do mundo, a vacina contra a COVID-19 de Oxford entrou na terceira fase de testes esta semana. Nesse momento de testagem em massa, o papel de Daniela é, junto com seu grupo, recrutar 550 voluntários e coletar respostas. “Passamos da fase um para a fase três em apenas dois meses. Agora, na fase três, a vacina será testada em 10 mil pessoas para verificarmos sua eficácia”, disse a pesquisadora.

 

Esse trabalho, por sinal, já começou. Segundo a Doutora pelo Instituto Butantan, o processo chamado “ensaio de eficácia”, que já foi iniciado, se divide entre a escolha de voluntários e divisão deles em grupos. Em seguida, um grupo recebe o produto que é candidato à nova vacina, enquanto o outro recebe uma vacina feita a partir da mesma plataforma (adenovírus) da vacina contra a COVID-19. “Na semana passada, fizemos o recrutamento dos voluntários e alguns exames para saber se são saudáveis, se podem receber a vacina, se não foram expostos ao vírus, todas essas coisas. Metade receberá a vacina controle e a outra metade, a vacina ativa”, explicou. 

 

Agora, enquanto rodam os testes, as vacinas já estão sendo produzidas em larga escala. Segundo Daniela, o objetivo é ter o maior número possível de doses prontas para distribuição assim que o produto for aprovado, evitando um possível atraso na proteção da população mundial. A cientista, no entanto, não fez uma estimativa sobre quando a vacina ficará pronta. “Esses números voltam para te morder. Mas o que posso dizer é que entre dois a seis meses já saberemos se a vacina é eficaz”, finaliza.