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Ciência e coisas do gênero: ganhadoras do Para Mulheres na Ciência criam página no Facebook para empoderar mulheres cientistas

07.06.2018

Projeto divulga assuntos sobre identidade de gênero, pesquisas feitas por mulheres e outras iniciativas que estimulam a presença feminina no meio científico

Mais do que apenas uma forma de compartilhar informação, as redes sociais são uma boa ferramenta para gerar debates sobre empoderamento feminino e a presença da mulher em todas as esferas sociais – principalmente, na área científica e acadêmica. Esse é a proposta da página no Facebook Ciências e Coisas do Gênero, criada pelas cientistas Elisa Brietzke, Tabita Hünemeier – ambas vencedoras edição de 2015 do L’Oréal-UNESCO-ABC Para Mulheres na Ciência – e Clarissa Gama. Os posts incluem desde recomendações de leituras à divulgação de descobertas científicas feitas por mulheres, passando por dicas de filmes com protagonistas cientistas e lugares para comprar camisetas e acessórios relacionados à área.

Por meio da iniciativa, as pesquisadoras querem dar mais um passo em direção à igualdade de gênero, já que apenas 30% das cientistas de todo o mundo são mulheres, e destacar a importância do trabalho desenvolvido por mulheres no meio científico. “A desconstrução gradativa dos estereótipos de gênero faz com que muitas meninas e mulheres consigam fazer escolhas que vão ao encontro das suas potencialidades e talentos, o que certamente as beneficia, mas que também trazem frutos para a sociedade e para o progresso do nosso país”, acredita Elisa Brietzke.

Colaboração e empoderamento

A curadoria de conteúdo para a Ciência e Coisas do Gênero é feita de forma colaborativa entre as três cientistas, o que segundo Elisa, traz resultados mais positivos tanto para a página quanto para o debate em torno das questões de gênero. No futuro, ela, Tabita e Clarissa pretendem investir ainda mais na criação de conteúdo próprio e ampliar o alcance da página para todo o país, levando o debate para além das regiões Sul e Sudeste. “Estamos em um momento em que a internet propicia a formação de uma rede de pessoas envolvidas com o assunto, com pontos de vista diferentes, mas profundamente articulados com grupos como o Parent in Science e as Cientistas do Pampa, que buscam fazer divulgação científica localmente com as mulheres, assumindo posições de protagonismo”, diz ela. “Isso permite que pequenas ações, como a recente iniciativa de estimular a inclusão no currículo Lattes da informação relativa à função de mãe e de períodos de licença-maternidade, ganhem impulso”.

Nesse sentido, Elisa destaca a importância que programas como o L’Oréal-UNESCO-ABC Para Mulheres na Ciência têm para buscar soluções para os desafios que as mulheres enfrentam hoje na carreira científica. “O impacto de um prêmio como esse vai muito além do reconhecimento da ganhadora”, explica. “Ele tem um efeito incrível nos alunos e alunas, nos colegas, nos departamentos e nas universidades. Esse prêmio acaba nos estimulando a querer multiplicar iniciativas de reforço à igualdade de gênero na ciência”.