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Carreira científica após um prêmio: 4 vencedoras falam sobre o impacto do Para Mulheres na Ciência

16.10.2020

Solange Binotto, Márcia Foster e Denise Morais contam como o prêmio foi um divisor de águas para suas trajetórias

 

O que muda depois de ganhar um prêmio como cientista? Há 15 anos, o Programa Para Mulheres na Ciência inspira mulheres cientistas a transformarem o mundo e construírem suas próprias histórias, premiando-as por seus estudos – mas você já se perguntou o que realmente aconteceu com a carreira e vida pessoal dessas pesquisadoras depois disso? Conversamos com 4 vencedoras de edições anteriores, a física Solange Binotto (2006), a matemática Viviane Ribeiro (2011), a química Márcia Foster (2012) e a biomédica Denise Morais (2016) para saber qual foi o impacto do Programa em suas trajetórias profissionais. Confira o que elas disseram abaixo!

 

O que mudou na vida pessoal e carreira de vocês desde que ganharam o Prêmio Para Mulheres na Ciência?

 

Márcia Foster: Pessoalmente, acredito que mudei a forma de ver e de agir em relação ao papel da mulher na sociedade e na ciência. Além disso, depois do prêmio, minha carreira vem em um constante crescimento: recebi, o prêmio JAAS Emerging Investigator Lectureship (Investigador em Ascensão) 2018, sendo essa primeira vez que ele foi entregue a um cientista da América Latina. Em 2019, fui selecionada pela International Union of Pure and Applied Chemistry (IUPAC – União Internacional de Química Pura e Aplicada) para fazer parte do “Periodic Table of Younger Chemists” (Tabela Periódica de Químicos Mais Jovens), representando o elemento Bromo, um dos elementos foco da minha pesquisa científica. Em 2020, fui empossada como membro afiliada da Academia Brasileira de Ciências na área de Ciências Químicas.

 

Denise Morais: Logo após o prêmio “Para Mulheres na Ciência” passei a receber diversos convites para participar de eventos científicos, como palestras e mesas redondas, muitos dos quais para falar do papel da mulher na ciência. Além disso, minha pesquisa passou a ser mais conhecida e ter um maior alcance. Após a premiação, várias coisas boas aconteceram: em 2018 fui contratada como professora no Departamento de Imunologia do Instituto de Ciências Biomédicas da USP, em 2019 fui a única mulher latino-americana indicada para compor o grupo de jovens cientistas do Fórum Econômico Mundial, e em 2020 fui eleita Membro Afiliado da Academia Brasileira de Ciências. 

 

Solange Binotto: O Prêmio Mulheres na Ciência foi um agente propulsor para minha carreira como cientista, pois consegui dar visibilidade ao meu trabalho tanto na área científica como na sociedade em geral. O Prêmio, via a ABC, também me proporcionou a participação em diversas atividades no Brasil e no exterior que geraram grandes reflexões acerca das pesquisas que eu desenvolvo e sobre a necessidade de divulgar a ciência como um grande agente transformador de desenvolvimento social.

 

Viviane Ribeiro: Acredito que as principais mudanças foram um maior incentivo, reconhecimento e visibilidade das minhas atividades de pesquisa, seja pelo recebimento do Prêmio em si, seja pelas oportunidades de participação em eventos e a realização de visitas de pesquisa que foram viabilizadas com a concessão da bolsa-auxílio. Em particular, a realização de visitas de pesquisa propiciou um maior desenvolvimento da pesquisa e a consolidação de importantes parcerias.

 

Na opinião de vocês, qual é a importância do prêmio Para Mulheres na Ciência?

 

MF: Além do aporte financeiro, que auxilia muito nas atividades de pesquisa, o prêmio proporciona uma grande visibilidade para as cientistas, o que reflete na autoconfiança e amplia a rede de contato das pesquisadoras. Acredito que receber o prêmio impacte na reflexão das pesquisadoras, amigos e familiares sobre a desigualdade de gênero, o que considero de grande relevância social. Sou muito grata por ter sido agraciada com este reconhecimento da L’Oréal-UNESCO-ABC e desejo que este prêmio continue modificando a vida de muitas outras cientistas, como modificou e impactou a minha vida. 

 

DM: Na minha opinião, o prêmio Para Mulheres na Ciência significa um reconhecimento para o trabalho de mulheres que vêm tentando encontrar um destaque no cenário científico. Esta premiação traz visibilidade às questões de igualdade de gênero e incentivo para que possamos continuar trabalhando para atingir posições de destaque em nossas carreiras.

 

SB: Um dos principais aspectos é visibilizar os espaços científicos que as mulheres ocupam ou podem ocupar. Esse Prêmio impulsiona a carreira científica de mulheres em diferentes regiões e com diferentes condições de trabalho, o que é de extrema importância em um mundo onde todos os talentos devem ser valorizados.

 

VR: O Prêmio Para Mulheres na Ciência propicia um importante incentivo à pesquisa seja das pesquisadoras agraciadas, seja dos alunos e demais professores da Pós-graduação e, mesmo da Graduação, das universidades das pesquisadoras laureadas, que também se sentem ainda mais estimulados em suas pesquisas. 

 

Quem eram Márcia, Denise, Solange e Viviane antes de receberem o prêmio e quem são vocês agora?

 

MF: Acredito que a Márcia que recebeu o prêmio Para Mulheres na Ciência em 2012, começava a ver seu trabalho e estudos árduos (de muitas noites em claro) sendo consolidados. Todavia, a Márcia de 2012 ainda não percebia claramente todas as dificuldades e preconceitos, muitos em função de ser mulher, que havia sofrido ao longo dos anos. Neste sentido, a participação em discussões, entrevistas, eventos e palestras sobre o papel da mulher na ciência e na sociedade, modificaram a Márcia desde então. A Márcia de 2020 é uma mulher ainda mais determinada e ousada que aceita os desafios com um sorriso no rosto e muita garra. 

 

DM: Antes de receber o prêmio, eu acreditava que igualdade de gênero era importante, mas não tinha a real consciência do quanto isso interfere na progressão profissional das mulheres. Hoje sou uma pessoa muito mais consciente das questões que envolvem a importância não apenas  das mulheres em posição de liderança, mas também da acessibilidade do conhecimento a toda a população, incluindo as minorias.

 

SB: Na verdade, como faz 15 anos que recebi o Prêmio, já nem consigo perceber essa diferença. Esse Prêmio nasceu comigo como cientista, sendo o marco inicial na minha carreira. Então posso dizer que o antes/depois se resume a minha inserção nacional com cientista.

 

VR: Antes de receber o Prêmio, me via como uma professora buscando contribuir da melhor maneira possível com a sociedade através de minha atuação no ensino superior. Hoje percebo que não apenas minhas atividades docentes, como minha dedicação à Ciência são importantes formas de contribuir para a sociedade, para um mundo melhor. Enfim me percebo não apenas como professora, mas também como cientista.