Notícia

Carolina Marcelino, pesquisadora da UFRJ, recebe Prêmio Marie Curie da União Europeia por gerar energia sustentável usando Inteligência Artificial

23.12.2019

 

Projeto busca entender fenômenos climáticos e gerar energia elétrica para comunidades isoladas

 

Foi por meio do desenvolvimento de um projeto que usa inteligência artificial para gerar energia elétrica sustentável que Carolina Marcelino, pesquisadora de pós doutorado do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe/UFRJ), recebeu o Prêmio Marie Curie Fellow. A premiação faz parte do Got Energy Talent, programa de bolsas cofinanciado pela União Europeia como parte do programa H2020 – Marie Sklodowska-Curie Actions. O programa é administrado pela Universidade de Alcalá e oferece oito bolsas de estudos para alunos selecionados, além da oportunidade de obter uma Fellow Marie-Curie, um dos estímulos de maior prestígio que pode ser alcançado por um jovem doutor.

 

“Acredito que Marie-Curie é um exemplo de pesquisadora. Ela foi a única mulher a receber dois prêmios Nobel por seus feitos. Para mim a presença feminina tem importância e peso. No passado e nos dias atuais, as mulheres mostram capacidade e eficiência na realização de pesquisa de ponta na Brasil e mundo”, afirma.

 

Projeto usa Inteligência Artificial para entender fenômenos climáticos e gerar energia elétrica por meio de fontes renováveis

 

Carolina conta que, desde a infância, já queria ser cientista por admirar a história de vida de seu tio, que é Doutor em Biologia. Foi durante seu doutorado em Modelagem Matemática e Computacional pelo CEFET-MG, em 2017, que o projeto da pesquisadora teve origem. O modelo busca propor e usar técnicas de Inteligência Artificial em conjunto com técnicas de otimização contínua, baseado em algoritmos evolucionários e métodos de tomada de decisão. Ao entender fenômenos temporais, como vento e radiação solar, o projeto tenta prever ocorrências futuras em determinada região e usa smart grids para gerar energia elétrica com fontes renováveis. De início, o modelo foi pensado para fornecer energia para pequenas vilas isoladas.

 

Além da geração de energia, Carolina realiza outra pesquisa em parceria com o Professor Carlos Pedreira na UFRJ relacionada à classificação de padrões de dados de citometria de fluxo para diagnóstico em câncer infantil. Recentemente, a pesquisadora tomou posse como Professora Adjunta da UFRJ no Instituto de Matemática/Departamento de Ciência da Computação por meio de um concurso realizado em setembro de 2019. “Para mim foi uma grata surpresa receber a notícia de meu projeto ter sido bem avaliado e juntamente na mesma semana a convocação da posse. Estou muito feliz em poder dar continuidade em minha pesquisa agora como docente e pesquisadora da UFRJ”, comemora.

 

“Não vai ser fácil, mas talvez a mensagem seja esta: não desista dos seus sonhos, lute”, aconselha Carolina

 

Para Carolina, apesar de as barreiras de gênero e raça ainda estarem longe de ser encerradas, existe uma evolução no meio acadêmico. Prova disso é a ausência de cotas para gênero no projeto europeu que participou. “Algumas medidas e premiações, como a própria L’Oréal faz, possibilitam fomentar a pesquisa de mulheres em algumas áreas de conhecimento. Acredito que a computação ainda não está dentro destas áreas, mas poderia estar”, defende.

 

Além disso, ela acredita que as crianças devem ser incentivadas a participar das ciências desde cedo. A academia, como a maioria dos setores, é composta por mais homens do que por mulheres. “Se você quer ser uma cientista, se é o que te faz feliz, acorde e lute por isso. Não vai ser fácil, como não é para nenhuma outra área onde mulheres estão inseridas, mas talvez a mensagem seja esta: não desista dos seus sonhos, lute”, finaliza.