Notícia

1ª vacina aprovada contra Covid-19 foi possível graças à mulher cientista húngara

11.12.2020

Vacina da Pfizer/BioNTech, 1ª de RNA aprovada no mundo, contou com a tecnologia desenvolvida por Katalin Karikó

 

A primeira vacina contra Covid-19, aprovada e distribuída no Reino Unido a partir desta semana, foi um aceno de esperança no combate à pandemia em todo o mundo. Esse feito histórico, no entanto, só aconteceu graças à coragem de uma mulher cientista chamada Katalin Karikó. Húngara radicada nos Estados Unidos, ela desenvolveu a tecnologia inovadora de RNA mensageiro para vacinas – hoje, utilizada no imunizante da Pfizer/BioNTech, 1º de RNA aprovado no mundo, mas que também poderá ser usada para revolucionar outras imunizações no futuro.

 

Este é o fim de uma história de três décadas marcadas pela dedicação de Katalin, por pedidos de financiamento negados, um tratamento de câncer no meio do processo e muita persistência em nome da ciência. Os detalhes, você confere no texto abaixo!

 

Mesmo após rejeições para obter financiamento, Katalin insistiu nas pesquisas da vacina de mRNA

 

 

Por anos, Katalin viu seus pedidos de financiamento para pôr a ideia envolvendo o mRNA em prática serem rejeitados repetidas vezes. O primeiro pedido de bolsa foi negado em 1990, um ano depois que ela ingressou no corpo docente da Universidade da Pensilvânia. Então, vieram mais nãos, um após o outro. “Continuei escrevendo e melhorando a abordagem – melhor RNA, melhor entrega. Fiz pedidos e, assim por diante, tentei obter financiamento do governo, financiamento privado de investidores, mas todos rejeitaram”, contou a cientista à Business Insider.

 

Em 1995, ela foi diagnosticada com câncer, mas continuou a aprimorar sua pesquisa. Seus estudos de RNA estavam baseados no trabalho de cientistas da Universidade de Wisconsin e da empresa de biotecnologia Vical Incorporated, que descobriram como fabricar o RNA mensageiro – molécula que dá o pontapé inicial na produção de proteínas – para instruir as células vivas a produzir proteínas específicas. Esses estudos, conduzidos por volta de 1990, estabeleceram a base para as futuras vacinas COVID-19.

 

Em 2005, Katalin finalmente descobriu uma maneira de configurar o mRNA de modo que ele escapasse das defesas naturais do corpo, sem aviso prévio. Essa descoberta abriu caminho para o que recentemente se tornou uma das maiores conquistas da ciência moderna: as primeiras vacinas de mRNA do mundo! 

 

Como funciona a vacina de RNA contra a Covid-19? Entenda!

 

A ideia da cientista é simples: usar moléculas mRNA no imunizante para ensinar as células a produzir uma proteína que desencadeia uma resposta do sistema imunológico. Na prática, isso é eficiente porque quem controla o mRNA, controla o que a célula produz. Assim como o próprio SARS-CoV-2 domina nossas células para fazer mais cópias dele mesmo, a vacina de mRNA imita essa ideia – mas carrega informação apenas para uma proteína viral: no caso da Covid19, a proteína S da espícula. Assim, carregando somente esta informação, a vacina garante que só esta proteína será produzida. 

 

Aparentemente, o uso do mRNA só oferece vantagens: ele não gera resíduos tóxicos, se degrada rapidamente depois do uso e não oferece possibilidade de integração no genoma celular (justamente porque o RNA nunca entra no núcleo, onde fica o DNA). Além disso, por meio dessa técnica não seria preciso cultivar o vírus – o que, consequentemente, diminui os riscos e a necessidade de se ter laboratórios de segurança máxima. Por fim, a tecnologia do mRNA nos deixa menos vulneráveis a novas doenças: com essa estratégia, a partir de agora pode ser possível criar vacinas de forma muito mais ágil.