“A proporção de mulheres que publicam artigos científicos cresceu 11% no Brasil nos últimos 20 anos.”

13.03.2017

Os resultados são parte do relatório Gender in the Global Research Landscape, lançado pela Elsevier, maior editora científica do mundo. O material traz um levantamento de dados da publicação acadêmica feita por mulheres em 11 países e na União Europeia em dois períodos: de 1996 a 2000 e de 2011 a 2015.

Segundo o relatório, o Brasil está entre os países que mais contam com autoras científicas (49%), assim como Portugal. Em outros países como Canadá, Dinamarca, Reino Unido e Austrália, o número de publicações feitas por mulheres já passaram dos 40%.

Somente Portugal tinha taxas superiores a 40% entre os anos de 1996 e 2000.

A quantidade de pesquisadoras, no entanto, muda de acordo com a área do conhecimento, segundo o relatório.

É na área de saúde em que as mulheres têm o maior número de publicações em comparação aos homens. Já nas ciências exatas, as mulheres ainda etão muito atrás. Em ciência da computação e matemática, por exemplo, os homens representam mais de 75% na autoria de trabalhos na maioria dos países pesquisados.

Segundo o estudo publicado na revista “Science” mostrou que as meninas a partir dos seis anos perdem o interesse em seguir na ciência, já que se sentem menos inteligentes.

Teto de Vidro

A igualdade na distribuição de autoria dos trabalhos científicos observada no Brasil não se reflete, no entanto, nos cargos científicos de liderança. Reitores de universidade, chefes de departamentos e coordenadores de linhas de pesquisa ainda são, em sua maioria, homens.

É isso que os estudiosos de gênero chamam de “teto de vidro”: um bloqueio invisível que as mulheres não conseguem quebrar para chegar ao topo.

O principal preconceito está relacionado à maternidade. Já que os homens acham que isso pode atrapalhar a pesquisa.

Qualidade

Apesar desses problemas, o estudo mostra que a qualidade dos trabalhos publicados é semelhante ao dos homens. 0,74 em relação aos 0,81 dos homens.

O impacto dos artigos científicos publicados por homens e por mulheres é semelhante até nos países em que a produção de ciência é bastante desigual.

No Japão, por exemplo, as mulheres são autoras de apenas dois em cada dez trabalhos científicos. Os artigos delas, no entanto, recebem 0,94 citação –número bem próximo do impacto dos trabalhos dos homens daquele país (0,96).

O levantamento foi feito com a base de dados da Elsevier, a Scopus, que lista autores de mais de 62 milhões de documentos em cerca de 21,5 mil revistas acadêmicas.